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Seu aluno sabe o que e como está aprendendo?

5 Dicas para que o aluno ganhe consciência de seu próprio aprendizado


Tenho certeza de que você, durante seus anos na escola, já passou por uma situação em que, quando perguntaram o conteúdo que você estava estudando em determinada matéria, ficou tentando lembrar qual exatamente era, mesmo tendo prestado atenção em todas as aulas. E provavelmente também já passou pela situação de ir estudar um conteúdo, mas não conseguir nem explicar de forma clara suas dúvidas. Como evitar que isso aconteça com os seus alunos?

Durante o processo de aprendizado, é muito importante que o aluno esteja consciente do que está estudando, do porquê disso, e reflita sobre o seu próprio desenvolvimento. Dessa forma, o conteúdo ganha sentido e significado, e fica mais fácil do aluno identificar onde está com dificuldade e o que precisa fazer para superá-la. Compartilhamos aqui algumas dicas de como garantir isso:

  1. Deixe claro o objetivo da aula - o aluno precisa saber onde o professor espera que ele chegue, inclusive para estar ciente se o alcançou, ou se ainda falta. A técnica 17 da nossa Trilha Formativa trata disso. Uma dica para fazer isso, é escrever no quadro o objetivo da aula , ex: "identificar as principais causas para a saída do Reino Unido da União Europeia", e retornar a ele no final, questionando os alunos: "alcançamos o objetivo? ainda não? o que não ficou claro?". É interessante utilizar verbos para os objetivos, e ir aumentando ao longo das aulas do mesmo conteúdo o grau de complexidade deles. Para estruturar o objetivo, fica a sugestão de se basear na Taxonomia de Bloom! Você pode ver mais sobre isso nesse artigo de Aprendizagem Significativa. Além disso, se for possível, exponha aos alunos os conteúdos que serão trabalhados ao longo do ano, bimestres e meses, de forma que eles consigam realmente acompanhar o que irão aprender, o que já viram e o que falta, além de serem capazes de conectar os conteúdos.

  2. Reserve momentos para o aluno refletir sobre o seu próprio trabalho - solicite que o aluno observe o que foi estudado e tente identificar o que compreendeu e o que não. Onde está com dúvida? Essa reflexão pode ser sobre um exercício específico, em que o aluno deverá tentar analisar porquê não acertou a atividade, ou ao final da aula, por exemplo. Uma sugestão é solicitar que os alunos elaborem uma tabela contendo três colunas: "já sei / não sei / estou com dúvida". Ela pode ser utilizada tanto para eles estudarem o conteúdo, quanto para o professor conseguir adequar às aulas. Você pode encontrar um modelo aqui.

  3. Mostre ao aluno que errar e ter dúvidas faz parte do aprendizado - muitas vezes os alunos têm vergonha de dizer que não sabem o conteúdo. É muito importante criar um ambiente acolhedor em que o aluno se sinta seguro para fazer questionamentos, dizer que não entendeu algo, e em que fique claro que errar é importante. Para isso, tem várias técnicas legais: tem professores que escrevem "erre mais" no quadro, têm outros que pedem que os alunos não apaguem os erros nas atividades para que entendam que a partir dele, depois conseguem acertar. Você pode utilizar o que achar melhor, mas não esqueça de enfatizar que o erro é normal e faz parte! Você também pode ler mais sobre isso no artigo “É possível ficar mais inteligente?”.

  4. Explique ao aluno as técnicas de aprendizado que está aplicando - quando você passar um vídeo, por exemplo, explique a eles qual a relevância dessa atividade para o conteúdo, o que você está buscando desenvolver socioemocional e academicamente. Se o aluno não está ciente do que está aprendendo, mesmo que saiba fazer, às vezes ele não internaliza que aprendeu. Um exemplo: Um professor de matemática explica a técnica da regra de três sem dar o devido nome, pois pode assustar os alunos. Se o professor não disser no final," isso aí que você fez se chama Regra de Três!", o aluno não ficará ciente do seu conhecimento. Se algum dia perguntarem, provavelmente ele dirá que não sabe a tal Regra de Três. O mesmo vale para as demais técnicas aplicadas em sala. Assim, o aluno tem consciência do seu aprendizado e, inclusive, das suas dificuldades no conteúdo.

  5. Ensine os alunos técnicas para estudar em casa - infelizmente, não dá para internalizar todo o conteúdo em apenas 45/50 minutos de aula. É preciso praticar, mas muitas vezes os alunos não sabem como fazer, nem têm disciplina para estudarem sozinhos. É importante então dar algumas sugestões aos alunos, tanto quanto em relação às diferentes formas de estudar, quanto em relação à como se concentrar. Apresente modelos como o Método Pomodoro para concentração e as diversas formas de estudo (por vídeos no youtube, fazendo resumos, lendo, apresentando..).

Por fim, é muito importante pedir que os alunos avaliem se as técnicas - tanto para avaliarem seu aprendizado como as técnicas de ensino implementadas - estão funcionando. Caso eles acreditem que não, peça para que apresentem sugestões. Isso também fará com que reflitam sobre seu próprio aprendizado e como melhorá-lo assim como acerca das suas dúvidas. Você ficará surpreso com as propostas que podem ter!

Referências:

Tennessee Department of Education. Incorporating Social and Emotional Learning into Classroom Instruction and Educator Effectiveness: A Toolkit for Tennessee Teachers and Administrator. June, 2015.

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