Saúde do Professor: causas e consequências

Dicas para a gestão escolar apoiar seus professores no âmbito da saúde física e mental


Saber como determinados grupos ocupacionais se comportam dentro e fora do trabalho, quais suas principais dificuldades no emprego e como anda sua saúde mental e física pode ser muito importante a nível de políticas públicas. Compreender como fatores individuais e empregatícios daquela parcela da população se relacionam possibilita pensar em políticas que melhorem a qualidade de trabalho e de vida desses indivíduos, assim como otimizar seu desempenho.


Diante disso, uma pesquisa com esse objetivo foi realizada com professores brasileiros. O estudo identificou o que aqueles que estão na profissão ou convivem com docentes já sabem: o alto nível de estresse do trabalho, a exigência por habilidades que vão além de ensinar e que não possuem formação, e questões de estrutura física das escolas acabam afetando a saúde do professor, o seu desempenho profissional, e, consequentemente, a qualidade educacional oferecida.


Foi identificado que, dentre os principais problemas de saúde dos professores, estão doenças psicológicas, musculares (como tendinites) e de voz. Um dos fatores que levam a problemas nas cordas vocais é o número de alunos por sala, que faz com que os professores tenham que aumentar seu tom de voz, exigindo muito das suas cordas vocais. Além disso, o uso do giz pode ser um agravante.


Em relação a doenças psicológicas, a alta pressão da profissão é um dos principais fatores, gerada pelas próprias atividades da docência. Além disso, a necessidade de contribuir com questões que estão fora do seu "escopo" de trabalho, como lidar com questões de saúde mental dos alunos e contribuir com demandas administrativas, pode atuar como agravante. Problemas musculares, por sua vez, podem ser causados pela grande quantidade de horas que os professores ficam em pé e por atividades repetitivas, como escrever na lousa, que pode ocasionar doenças como a tendinite.


Diante dessas informações, portanto, fica evidente a necessidade de intervenções para contribuir na melhoria da qualidade de vida e do desempenho dos professores. Do ponto de vista de um gestor público, existem algumas ações simples que, ao serem implementadas, podem trazer resultados visíveis neste apoio aos docentes. Entre elas estão:


  • Disponibilizar atendimento psicológico especializado aos professores

  • Disponibilizar atendimento psicológico aos alunos, para que não sobrecarreguem os professores com demandas que vão além de sua formação;

  • Reduzir o número de alunos por sala;

  • Promover alterações no espaço físico;

  • Com a inserção de lousa digital, de maneira que o professor não precise escrever o conteúdo toda vez que ingressar em uma nova sala de aula ou

  • Com a proposta de que os alunos alterem as salas, e não o professor.

  • Implementar plataformas para auxiliarem o professor e a gestão escolar nas atividades administrativas. Ex: ferramentas que facilitem a chamada e o lançamento de notas.


Através de políticas públicas que contribuam para os pontos sugeridos, espera-se que os problemas identificados sejam mitigados, garantindo, dessa forma, profissionais com uma saúde física e mental melhor, além de menos sobrecarregados com demandas laborais, de maneira que se sintam mais dispostos e com mais tempo para concentrar-se na elaboração de aulas e no desempenho acadêmico dos alunos.


Você, gestor, vê a necessidade de implantar alguma dessas medidas em sua escola ou sua rede? E você, professor, o que achou da discussão? Conta pra gente nos comentários!

Referências:


Alcantara, Marcos Alessandro de; Claro, Rafael Moreira; Medeiros, Adriane Mesquita de; Vieira, Marcel de Toledo. Determinants of teachers’ work ability in basic education in Brazil: Educatel Study, 2016. Cad. Saúde Pública, vol. 35. Scielo. 06 de maio de 2019. Disponível em: <https://sci-hub.st/https://doi.org/10.1590/0102-311X00179617 >

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