Resolvendo problemas no Ensino Remoto

Atualizado: Jun 23

Por Bruna Ribeiro


Sou professora de matemática em uma escola em que os estudantes possuem pouco ou nenhum acesso à internet de qualidade, portanto, as principais ferramentas de comunicação são as APCs - Atividades Pedagógicas Complementares - e o WhatsApp. Em resumo, as APCs são atividades direcionadas para aproximadamente 15 dias que devem conter um texto breve sobre o conteúdo e questões para avaliar o estudante.


A construção dessas APCs ainda é um grande desafio, mas essa rotina trouxe um grande aprendizado: muitas vezes a maior dificuldade dos estudantes está em ler e interpretar um problema matemático.


Em uma das APCs solicitei que os estudantes resolvessem um problema quase idêntico ao exemplo do texto, mudava apenas os valores. Para minha surpresa, eu não tive boa devolutiva dessa questão. Ao tentar entender a dificuldade dos meus alunos e explicar o que o problema pedia, era comum ouvir frases como: “era só isso?”, “agora ficou ficou fácil”, “com você explicando, eu entendi”. Há inúmeras razões para explicar essa situação, porém uma delas é que muitos estudantes têm dificuldade em interpretar questões.


Na APC seguinte, tentei uma nova abordagem. O problema proposto tinha um nível de complexidade bastante superior ao anterior, porém a devolutiva dos estudantes foi bem melhor. Ao construir o problema, no lugar de deixar um espaço para resolverem o problema, elaborei um passo a passo utilizando uma das estratégias de resolução de problemas:

  • 1º Passo: grifar qual era a pergunta que deveria ser respondida.

  • 2º Passo: selecionar no problema quais informações/dados eram necessários para responder a pergunta do passo 1.

  • 3º Passo: esquematizar o problema, em outras palavras, construir a equação ou diagrama para resolução.

  • 4º Passo: resolver o esquema feito no passo 3.

  • 5º Passo: responder a pergunta do passo 1 utilizando a resolução do passo 4.

Observando a Taxonomia de Bloom (caso não conheça, saiba mais aqui!), percebi que na minha primeira APC eu pedi para que meus alunos comparassem dois problemas sem antes passarem por processos cognitivos mais simples.


Fonte: https://amplifica.me/taxonomia-de-bloom/


Já na segunda APC, com uma devolutiva melhor, o problema era desmembrado em processos mais simples até chegar em um processo cognitivo mais complexo:

  • 1º passo: localizar a pergunta

  • 2º passo: identificar os dados

  • 3º passo: esquematizar

  • 4º passo: calcular/resolver

  • 5º passo: explicar


A grande lição que tirei da análise dessas duas questões é que, muitas vezes, nossos estudantes entendem conceitos complexos, porém, a grande dificuldade está em transcrevê-los ou aplicá-los. Por isso, nós, professores, frequentemente temos o papel de orientador na construção desses processos cognitivos, dividindo os problemas complexos em problemas menores, até que esses processos tornam-se automáticos.


E você professor, quais desafios tem enfrentado? Como tentou resolvê-los? Conte aqui nos comentários.

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