Reaprendendo a aprender e a ensinar

Atualizado: Jun 15

Sugestões para alunos e professores lidarem com os desafios da pandemia


O momento que estamos vivendo é completamente novo e desafiador para os professores. Adaptar as aulas para o online vai muito além de apenas ligar a câmera e começar a explicar o conteúdo, como se estivesse em sua sala de aula. Da mesma forma, para o aluno, aprender através das aulas online não é apenas sentar na sua cadeira e simular que está na escola escutando o professor. Nesse momento, precisamos reaprender a ensinar e os alunos, a aprender.


As diferenças e desafios para o professor são vários: como engajar os alunos a participarem da aula? como identificar se o aluno está com dificuldades? como manter o foco dos alunos durante a aula? Além disso, muitas vezes o professor não tem domínio das tecnologias online e precisa ainda aprender a manuseá-las. Ademais, é claro, da interação com os alunos e pais, que passa a não ter hora.


Já o aluno, por mais que saiba utilizar a internet, muitas vezes tem dificuldade de utilizá-la com fins pedagógicos: não sabe em qual site deve pesquisar para ter fontes confiáveis; tem dificuldade para focar e estudar de maneira independente; não consegue trabalhar colaborativamente.


Diante de tantos desafios, as respostas são as mais variadas: têm professores que acumulam trabalho, tentando criar aulas totalmente diferentes e interativas e respondendo aos alunos 24h por dia, já outros, se desestimulam.


Para tentar ajudá-los a encontrar um equilíbrio entre esses extremos, fomos buscar referências nos professores de Hong Kong e China, que viveram uma situação parecida durante 2002 com o SARS. Naquela época, devido ao vírus, as aulas presenciais também foram canceladas, e os professores recorreram às aulas online.


Dentre os pontos por eles citados como formas de driblar os desafios descritos aqui, elencamos alguns para você se inspirar e, quem sabe, usar em suas aulas - caso seja possível:


  1. Criar um “Suporte ao Aluno” - ao invés de ficar respondendo mensagens individualmente, uma ideia é criar um meio de compilar as dúvidas em algum lugar que todos os alunos possam acessar e visualizar (seja no Google Sala de Aula em algum tópico, ou através da criação de um site - o Wix, por exemplo, possibilita a criação de sites de graça). Às vezes a dúvida de um também é a do outro e assim você consegue otimizar seu tempo.

  2. Contar com os alunos para uso das tecnologias - grande parte dos alunos atualmente sabe utilizar muito bem a internet e o computador. Se você ainda tem dificuldades, por que não pedir ajuda aos alunos? Sonde entre eles quem pode te auxiliar na criação de um site, como sugerido acima, ou de um canal para troca de materiais e dúvidas.

  3. Utilizar o modelo de Sala de Aula Invertida - a Sala de Aula Invertida consiste em passar um material ao aluno para ele estudar previamente e, durante a aula, ser apenas a discussão do assunto. Dessa forma, você acaba incentivando mais os alunos a interagirem e pode, inclusive, garantir uma pontuação àqueles que participarem, assim como pré-estabelecer perguntas/questões que serão debatidas para que eles se preparem.

  4. Designar funções aos alunos - se você estiver ministrando aulas com 40 alunos, essa opção talvez não seja possível. Mas se conseguir dividir seus alunos em grupos de 4/5 pessoas e dar aula separadamente para eles (mesmo que seja um tempo mais curto, 30min por exemplo, através do modelo de Sala de Aula Invertida), você pode dividir os alunos entre funções enquanto aplica atividades para exercitarem o conteúdo (ex: mediador, orador, redator, controlador do tempo). Dessa forma, todos estarão engajados nas atividades.

  5. Conversar de forma individualizada - Em tempos de distanciamento social, a relação professor-aluno e inclusive entre alunos fica mais fraca. Isso pode desmotivá-los a participar e se engajar nas atividades, bem como a não tomarem iniciativa para sanarem dúvidas que venham a ter. Dessa forma, para aqueles que você perceber que não estão tendo tanta interação, ou que apresentarem baixo rendimento nas atividades, puxar uma conversa para engajá-los e ajudá-los na compreensão do conteúdo é uma ótima iniciativa.


E aí, o que achou dessas sugestões? Que tal tentar aplicar pelo menos algumas delas? Estamos curiosos para saber o resultado!


Referências:


FOX, Robert. SARS epidemic: Teachers’ experiences using ICTs. Disponível em:<https://ascilite.org/conferences/perth04/procs/pdf/fox.pdf>. Acesso em: 17 de maio de 2020.

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