Quanto vale um guarda-chuva?

Aprendendo Valor: um programa de Educação Financeira nas escolas

Banco Central do Brasil, em parceria de divulgação com a Eu Ensino


Você já parou para pensar sobre isso? Parece uma pergunta simples, mas a resposta é pessoal, e mesmo para cada um, ela depende... Está chovendo? Tenho outro? Está comigo ou o esqueci em casa? Está furado? Ganhei de presente de alguém querido ou achei na rua? Acho ele bonito ou comprei um feio que era o único disponível em um momento de necessidade?


Perceba que o valor de um objeto ou de uma experiência muitas vezes tem pouca relação com o seu custo, e mesmo com o seu preço. Para além de questões de oferta e demanda, o valor é algo que se relaciona com o contexto, preferências pessoais, momento de vida, importância sentimental, estado emocional.


Se analisarmos com um pouco mais de atenção, perceberemos que a palavra valor, por si só, é carregada de significados. Agimos de acordo com nossos valores, e se temos consciência deles, podemos viver nossa vida de forma mais coerente, investindo nossa energia, tempo, dinheiro e atenção no que é prioritário para nós, a cada momento. Ou seja, podemos tomar decisões mais conscientes e responsáveis, que nos trarão uma melhor qualidade de vida.


Esse tipo de reflexão faz bastante diferença na forma como cada pessoa utiliza ou guarda seu dinheiro, e está no cerne da Educação Financeira. Todos nós lidamos com escolhas todos os dias, muitas delas relacionadas ao uso de nossos recursos. Você conhece o poema da Cecília Meireles chamado “Ou isto ou aquilo”? Leia alguns de seus trechos abaixo:


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.


Nossos recursos são escassos, e precisamos tomar decisões a cada momento. Gastar hoje significa não ter esse recurso para gastar amanhã, seja com algum imprevisto, seja para comprar algo de maior valor (mais caro ou mais importante). Será que estamos utilizando nosso dinheiro, obtido com nossas horas de trabalho, da forma a nos proporcionar a maior satisfação possível, no presente e no futuro?


Nós, adultos, fomos construindo nossos hábitos ao longo do tempo, e eles podem não ser os hábitos mais vantajosos para nós. A Educação Financeira busca, a partir da promoção de reflexões sobre comportamentos e do ensino de alguns conceitos, levar os consumidores e investidores (ou seja, todos nós) a “melhorar sua compreensão em relação aos conceitos e produtos financeiros, de maneira que, com informação, formação e orientação, possam desenvolver os valores e as competências necessários para se tornarem mais conscientes das oportunidades e riscos neles envolvidos e, então, poderem fazer escolhas bem informadas, saber onde procurar ajuda e adotar outras ações que melhorem o seu bem-estar. Assim, podem contribuir de modo mais consistente para a formação de indivíduos e sociedades responsáveis, comprometidos com o futuro” (definição: OCDE). Ou seja, busca contribuir para que as pessoas façam escolhas que maximizem sua qualidade de vida, a partir de seu contexto, seus valores e suas prioridades.


E se a gente começasse a ensinar isso para as crianças desde cedo? Construir bons hábitos é mais fácil do que mudar hábitos já adquiridos, e Educação Financeira tem tudo a ver com educação para a vida. Afinal, as crianças e jovens estão imersos na cultura, no consumo, nas decisões financeiras de seus pais desde o nascimento!


Foi pensando nisso que o Banco Central do Brasil criou o Programa Aprender Valor, para estimular essas competências e habilidades nos estudantes das escolas públicas brasileiras de ensino fundamental.


Programa Aprender Valor


Como vimos acima, a partir de uma pergunta simples e de trechos de um conhecido poema, passamos por conceitos como troca intertemporal, tomada de decisões responsáveis, planejamento, priorização, reserva para emergências, autoconhecimento, autogestão, poupança. Todos esses temas, e vários outros, são tratados com crianças e jovens do 1º ao 9º anos do Ensino Fundamental das escolas públicas participantes do programa Aprender Valor.


O Aprender Valor é uma iniciativa do Banco Central do Brasil que visa estimular o desenvolvimento de competências e habilidades de Educação Financeira e Educação para o Consumo em estudantes das escolas públicas brasileiras, da forma como preconiza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


Levar conhecimentos, reflexões e o estímulo ao desenvolvimento de comportamentos financeiramente responsáveis às crianças e jovens é uma urgência social, tendo em vista os impactos que o modo como as pessoas lidam com o consumo e com os recursos financeiros e materiais têm na vida individual e coletiva, no presente e no futuro. Isso tudo se torna ainda mais relevante em um contexto de imprevistos e mudanças, como o causado pela pandemia da Covid-19.


Tratar desses temas nas salas de aula se alinha ainda à demanda contemporânea de promoção do letramento financeiro na escolarização de nível básico. A inserção da Educação Financeira e da Educação para o Consumo nos currículos escolares, como proposta pela BNCC, auxilia a inserção crítica e consciente de crianças e adolescentes no mundo atual, contribuindo para a constituição da cidadania. Além disso, aproxima o aprendizado escolar da vida prática, do dia a dia de estudantes e suas famílias, contribuindo para uma aprendizagem mais significativa.


No programa Aprender Valor, a Educação Financeira é trabalhada com os estudantes por meio de projetos escolares que integram esse tema a diferentes componentes curriculares. Esses projetos trazem sequências didáticas com atividades que articulam habilidades relacionadas ao planejamento do uso dos recursos (PLA), à poupança ativa (POU) e ao uso responsável do crédito (CRÉ) com conteúdos e habilidades de Matemática, Língua Portuguesa e Ciências Humanas previstas na BNCC, de modo transversal e integrado. Além dos projetos escolares, o Aprender Valor oferece curso de formação on-line para professores e gestores escolares (diretores, coordenadores, técnicos das secretarias de educação), com módulo específico de Educação Financeira Pessoal – tudo isso de forma totalmente gratuita para as escolas públicas de Ensino Fundamental e para Secretarias de Educação (estaduais ou municipais) que aderirem ao programa.


Financiado com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o programa vem sendo implementado desde o início de 2020, em caráter experimental (fase piloto), em escolas selecionadas de cinco estados (Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná) mais o Distrito Federal. A partir de 2021, a iniciativa entra em fase de expansão nacional, possibilitando que outras escolas e redes municipais e estaduais de educação tenham acesso aos recursos do programa. Dessa forma, já em 2021 conhecimentos sobre formas de melhorar a gestão do dinheiro podem chegar a estudantes de Ensino Fundamental de todo o país.


O Aprender Valor está com adesões abertas para a fase de expansão nacional desde 31 de maio. Para saber mais sobre o programa e para orientações sobre como aderir, visite a plataforma do programa aqui!


Equipe do programa Aprender Valor

Divisão de Educação Financeira

Departamento de Promoção da Cidadania Financeira

Banco Central do Brasil

Referências:


Conceito de Educação Financeira da OCDE disponível em: https://www.oecd.org/finance/financial-education/G20_OECD_NSFinEd_Summary.pdf