Perguntas são a resposta?

O processo de fazer perguntas e se envolver na investigação melhora as habilidades de pensamento crítico dos alunos


Em média, crianças na fase da educação infantil fazem mais de 300 perguntas por dia, de acordo com uma pesquisa realizada pela OnePoll. Se você conviveu com uma criança pequena nos últimos anos, com certeza se lembra desse período, da curiosidade e das dúvidas intermináveis que elas tinham. Mas o que acontece com o número de perguntas quando as crianças começam o ensino fundamental? Quantas perguntas você acha que um aluno da educação infantil faz em comparação com um aluno do quarto ou oitavo ano?


Pensando em sala de aula, como fazemos a mudança de termos um questionamento dirigido pelo professor para um dirigido pelo aluno? Usando uma ferramenta simples e eficaz como a Técnica de Formulação de Perguntas, podemos capacitar os alunos a desenvolver perguntas de alta qualidade, pensar criticamente e despertar investigações que vão além da superfície para um aprendizado mais profundo.


Desenvolvido e patrocinado pelo Right Question Institute (RQI), o processo usa restrições estrategicamente colocadas para encorajar os alunos a permanecer em uma mesma questão, aprofundando-se em um conceito, objeto visual ou frase, até que dimensões anteriormente não percebidas sejam reveladas. Além disso, o método também tira a ênfase da necessidade de ser rápido para responder.


Para utilizá-lo, comece escolhendo um foco de pergunta. Pode ser um trecho de texto, uma imagem, um gráfico, um objeto, um áudio ou algo totalmente diferente que você quer usar para trabalhar em seu componente curricular. Qualquer que seja esse foco, ele deve ser claro, não deve ser uma pergunta e deve estimular novas linhas de pensamento sem introduzir preconceitos. Pode ser sério ou criativo, mas deve ser apresentado sem contexto ou explicação.


Etapa 1 - Apresente as regras aos alunos


  • Faça quantas perguntas você conseguir.

  • Não pare para discutir, julgar ou responder nenhuma pergunta.

  • Escreva cada pergunta exatamente como for dita.

  • Transforme qualquer afirmação em uma pergunta.

  • Seja claro sobre o limite de tempo. Por exemplo: “Faça quantas perguntas você puder em 4 minutos.”


Peça aos estudantes que enumerem cada pergunta conforme forem apresentadas, sem fazer nenhuma análise delas. Nesse momento, vale refletir, por exemplo, se a primeira pergunta foi a melhor pergunta e, se não, qual foi.


Enfatize a importância de não julgar as perguntas, especialmente se os alunos estiverem gerando ideias de forma colaborativa. Naturalmente, tememos que algo negativo interrompa as perguntas, mas os elogios também criam um problema. Um simples “Que pergunta ótima!” pode ser interpretado como “A melhor pergunta já foi feita e não há mais nada a contribuir”. Todo julgamento, bom ou ruim, corre o risco de encerrar o processo.


Etapa 2 - Os alunos produzem perguntas


Explique acerca do foco de pergunta que você escolheu e os alunos devem responder a ele gerando novas ideias com o máximo de perguntas que puderem durante o período de tempo definido. Se eles desacelerarem em seu questionamento, incentive os alunos a mudar a perspectiva várias vezes para descobrir novas questões.


Etapa 3 - Os alunos melhoram as perguntas


Os alunos revisam as perguntas e distinguem as perguntas abertas (geralmente por quê, o quê ou como) das perguntas fechadas (sim / não) com o objetivo de maximizar as do primeiro tipo.


Desafie os alunos a mudar as perguntas fechadas para as abertas e vice-versa. É importante observar que, embora possamos ter uma preferência por perguntas abertas para discussões mais profundas, ambos os tipos de perguntas têm um propósito. Esta é uma ótima oportunidade para discutir os prós e os contras de ambos, bem como discutir a desconfortável “área cinza” quando uma pergunta não é facilmente categorizada como aberta ou fechada.


Etapa 4 - Os alunos priorizam as perguntas


Os grupos irão colaborar para determinar quais perguntas são as mais interessantes e essenciais para desbloquear mais dimensões do foco trabalhado. Forneça aos alunos perguntas de orientação com base em seus objetivos de aprendizagem e até onde você planeja levar esta linha de investigação:


  • Quais questões nos interessam mais?

  • O que queremos e/ou precisamos responder primeiro?

  • Que perguntas nos ajudarão a elaborar nosso projeto de pesquisa, experimento, etc.?

  • Que perguntas nos ajudarão a resolver o problema?


É fascinante ver as perguntas geradas e como elas são priorizadas! Também podemos usar esses dados como uma avaliação formativa que direciona nossa prática.


Etapa 5 - Determine as próximas fases


Idealmente, as próximas etapas são co-construídas ou construídas pelo aluno, mas pode levar algum tempo para chegar a essa autonomia para que assumam essa responsabilidade. Aqui estão algumas instruções básicas que os alunos podem usar para discutir as próximas etapas:


  • Como iremos abordar ou responder nossas perguntas prioritárias?

  • Por onde vamos começar?

  • Como iremos abordar as questões restantes?


Etapa 6 - Refletir


Isso encerra o processo, permitindo a discussão final da equipe e consolidação das aprendizagens. Facilite a reflexão com perguntas como “Como o processo mudou sua discussão sobre o foco? Como isso mudou seu pensamento?" Na verdade, essa é a hora de os professores fazerem perguntas!


Dê aos alunos tempo adequado para refletir. Eles podem fazer isso individualmente e depois compartilhar ou podem registrar os pensamentos em grupo.


Um exemplo de resultado bem-sucedido de não se apressar em responder é o caso de um grupo de cientistas que estuda um tipo específico de efeito das células T. Em vez de receber o resultado esperado, eles descobriram que suas células T tiveram um efeito inesperado nas células cancerosas. Em vez de descartar esses resultados de suas pesquisas, eles permaneceram na dúvida e podem ter chegado a uma possível cura para muitos tipos de câncer.


Questionar é uma habilidade essencial para a vida e, como educadores, podemos aproveitar a Técnica de Formulação de Perguntas para inverter o roteiro, guiando nossos alunos por meio de uma atividade produtiva que capacita a todos, nos mantém focados e aprofunda o aprendizado.

 

Referências:


Edutopia, por Mike Lawrence e Lainie Rowell. “Are Questions the Answer?”. Agosto de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/are-questions-answer

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