Os estudantes podem aprender ciências através da internet?

Atualizado: Mai 11

Resultados de uma pesquisa com estudantes de graduação


Desde o surgimento da internet, ao longo dos anos fomos tendo cada vez mais razões para usá-la até ela se tornar essencial em nossas vidas. Dessa forma, escolas e instituições de ensino se viram obrigadas a pensar uma nova forma de educação, que integrasse a internet como parte do processo de ensino e aprendizagem. Essa nova forma de ensino pode ser classificada como Ensino Híbrido. Participamos de uma live no Sebrae no dia 29 de abril em que a Laura, fundadora e CEO da Eu Ensino, conta como organizar programas educativos híbridos em tempos de Covid-19. Você pode assistir à este vídeo aqui. Três questões particularmente voltadas para os educadores surgem nas infinitas pesquisas relacionadas à internet:

  • Como lidar com o excesso de informações e com a falta de instruções claras e úteis;

  • Como identificar as habilidades e atitudes necessárias para que os alunos sejam capazes de criticar, avaliar e usar os resultados de suas pesquisas;

  • Como projetar e avaliar efetivamente os diferentes formatos de aprendizado através da internet.

O fato é que o acesso à internet permite que os professores reflitam sobre a sua forma de de agir, suas regras em sala de aula e suas técnicas de ensino, pois aprender através da internet permite flexibilidade tanto para alunos quanto para educadores. E como o uso dessa tecnologia ainda está sendo difundida nas escolas, não é de se estranhar que perguntas como “Será mesmo possível aprender pela internet?” surjam em tempos de normalidade - e ainda mais em tempos de distanciamento social. Além disso, uma questão também pode ser levantada a respeito do estudo pela internet: há diferença nos resultados das avaliações feitas após adotar metodologias de ensino baseadas no construtivismo e no objetivismo? Para responder a essas perguntas, uma pesquisa foi feita com computadores equipados com acesso à internet em vários laboratórios, casas e empresas ao redor da maior universidade da Flórida. Os participantes foram 145 estudantes de engenharia, sendo 84 do sexo masculino e 61 do sexo feminino, de 18 a 30 anos, que se voluntariaram para a pesquisa. Eles foram divididos em três grupos, referentes ao método utilizado: construtivismo, objetivismo e controle e foram submetidos a um teste antes de participarem da pesquisa (pré-tratamento) e também após finalizarem (pós-tratamento). As avaliações pré e pós-tratamento foram iguais no conteúdo e continham questões de Química Geral. Todas as perguntas foram baseadas em conceitos de módulos de instruções presentes na internet. Um verdadeiro método construtivista é definido como aquele que permite ao participante acessar todas as áreas e andar livremente, porém isso foi impraticável na pesquisa, por isso foi adaptado. O material de tratamento do objetivismo foi apresentado em uma ordem linear: O programa permitia a conclusão de uma tela, e em seguida surge um link que encaminha para a página subsequente. O participante também tinha permissão para voltar para uma página anterior para revisar os tópicos anteriores. As avaliações de pré e pós-tratamento valiam no máximo 10 pontos e os resultados são mostrados na tabela abaixo. Foi calculada uma média entre as notas de cada grupo.


O fato de todos os participantes terem aumentado significativamente suas notas na avaliação pós-tratamento em relação às notas de avaliação pré-tratamento indica que os alunos podem aprender conceitos técnicos pela Internet. É importante ressaltar que essa pesquisa foi feita sob ótimas condições e sabemos que a realidade da maioria das escolas no Brasil, especialmente as públicas, é bem diferente. Mesmo assim, isso não invalida que o aprendizado pela internet pode acontecer e que seja incluído pouco a pouco. Mesmo que esse estudo tenha sido feito com estudantes de graduação, a partir dele podemos deduzir qual seria o melhor método para estudantes de ensino médio, pois além do resultado nas avaliações, percebeu-se que estudantes mais jovens responderam melhor ao construtivismo, enquanto estudantes mais velhos responderam melhor ao objetivismo. Sabemos que, mesmo com críticas, o construtivismo se torna cada vez mais popular no Brasil. Como é um método que dá mais autonomia e liberdade, alunos de ensino médio podem se adaptar melhor a ele. Agora gostaríamos de deixar uma reflexão: apesar das dificuldades que podem ser encontradas no uso da Internet para aprender ciências e qualquer outra matéria, como você tem se preparado para se adequar a essa tecnologia que já é realidade para a maioria dos estudantes? E como você adaptou sua prática para esse momento da pandemia? Conta pra gente aqui nos comentários!

Referências HARGIS, J. Can Students Learn Science Using the Internet? Journal of Research on Technology in Education, 2001.

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