Os estudantes podem aprender ciências através da internet?

Atualizado: 13 de Nov de 2020

Resultados de uma pesquisa com estudantes de graduação


Desde o surgimento da internet, ao longo dos anos fomos tendo cada vez mais razões para usá-la até ela se tornar essencial em nossas vidas. Dessa forma, escolas e instituições de ensino se viram obrigadas a pensar uma nova forma de educação, que integrasse a internet como parte do processo de ensino e aprendizagem. Essa nova forma de ensino pode ser classificada como Ensino Híbrido. Participamos de uma live no Sebrae no dia 29 de abril em que a Laura, fundadora e CEO da Eu Ensino, conta como organizar programas educativos híbridos em tempos de Covid-19. Você pode assistir à este vídeo aqui. Três questões particularmente voltadas para os educadores surgem nas infinitas pesquisas relacionadas à internet:

  • Como lidar com o excesso de informações e com a falta de instruções claras e úteis;

  • Como identificar as habilidades e atitudes necessárias para que os alunos sejam capazes de criticar, avaliar e usar os resultados de suas pesquisas;

  • Como projetar e avaliar efetivamente os diferentes formatos de aprendizado através da internet.

O fato é que o acesso à internet permite que os professores reflitam sobre a sua forma de de agir, suas regras em sala de aula e suas técnicas de ensino, pois aprender através da internet permite flexibilidade tanto para alunos quanto para educadores. E como o uso dessa tecnologia ainda está sendo difundida nas escolas, não é de se estranhar que perguntas como “Será mesmo possível aprender pela internet?” surjam em tempos de normalidade - e ainda mais em tempos de distanciamento social. Além disso, uma questão também pode ser levantada a respeito do estudo pela internet: há diferença nos resultados das avaliações feitas após adotar metodologias de ensino baseadas no construtivismo e no objetivismo? Para responder a essas perguntas, uma pesquisa foi feita com computadores equipados com acesso à internet em vários laboratórios, casas e empresas ao redor da maior universidade da Flórida. Os participantes foram 145 estudantes de engenharia, sendo 84 do sexo masculino e 61 do sexo feminino, de 18 a 30 anos, que se voluntariaram para a pesquisa. Eles foram divididos em três grupos, referentes ao método utilizado: construtivismo, objetivismo e controle e foram submetidos a um teste antes de participarem da pesquisa (pré-tratamento) e também após finalizarem (pós-tratamento). As avaliações pré e pós-tratamento foram iguais no conteúdo e continham questões de Química Geral. Todas as perguntas foram baseadas em conceitos de módulos de instruções presentes na internet. Um verdadeiro método construtivista é definido como aquele que permite ao participante acessar todas as áreas e andar livremente, porém isso foi impraticável na pesquisa, por isso foi adaptado. O material de tratamento do objetivismo foi apresentado em uma ordem linear: O programa permitia a conclusão de uma tela, e em seguida surge um link que encaminha para a página subsequente. O participante também tinha permissão para voltar para uma página anterior para revisar os tópicos anteriores. As avaliações de pré e pós-tratamento valiam no máximo 10 pontos e os resultados são mostrados na tabela abaixo. Foi calculada uma média entre as notas de cada grupo.


O fato de todos os participantes terem aumentado significativamente suas notas na avaliação pós-tratamento em relação às notas de avaliação pré-tratamento indica que os alunos podem aprender conceitos técnicos pela Internet. É importante ressaltar que essa pesquisa foi feita sob ótimas condições e sabemos que a realidade da maioria das escolas no Brasil, especialmente as públicas, é bem diferente. Mesmo assim, isso não invalida que o aprendizado pela internet pode acontecer e que seja incluído pouco a pouco. Mesmo que esse estudo tenha sido feito com estudantes de graduação, a partir dele podemos deduzir qual seria o melhor método para estudantes de ensino médio, pois além do resultado nas avaliações, percebeu-se que estudantes mais jovens responderam melhor ao construtivismo, enquanto estudantes mais velhos responderam melhor ao objetivismo. Sabemos que, mesmo com críticas, o construtivismo se torna cada vez mais popular no Brasil. Como é um método que dá mais autonomia e liberdade, alunos de ensino médio podem se adaptar melhor a ele. Agora gostaríamos de deixar uma reflexão: apesar das dificuldades que podem ser encontradas no uso da Internet para aprender ciências e qualquer outra matéria, como você tem se preparado para se adequar a essa tecnologia que já é realidade para a maioria dos estudantes? E como você adaptou sua prática para esse momento da pandemia? Conta pra gente aqui nos comentários!

Referências: HARGIS, J. Can Students Learn Science Using the Internet? Journal of Research on Technology in Education, 2001.

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