O que os líderes devem considerar sobre o ensino remoto?

Mudanças educacionais provocadas pela a pandemia e questões relevantes


Coordenadores, diretores e secretários de educação têm se preocupado muito com a questão da abertura das escolas versus a continuação do ensino remoto. Essa tem sido uma discussão constante na nossa série de artigos #EuEnsinodeCasa, mas hoje queremos chamar atenção para a necessidade de, mais do que pensar soluções “band-aid”, imediatas, é preciso também considerar reformas de longo prazo.


Enquanto nos preparamos cada dia mais para oferecer aulas remotas com melhor qualidade, propomos aqui reflexões divididas em três grandes blocos: equidade, equipe e relacionamento com a família e com os alunos, para verificarmos quais aprendizados e mudanças podemos tirar dessa experiência. Muitos têm visto o ensino remoto sob uma perspectiva muito negativa, mas que tal superá-la e ver quais impactos positivos ele pode gerar no futuro?


Equidade


1. Currículo: uma grande reforma curricular está em pauta no Brasil. A Base Nacional Comum Curricular atentou para a grande disparidade entre o ensino de diferentes localidades, propondo uma unificação à qual todos devem se adequar. A pandemia, no entanto, parece ter desacelerado esse processo, ao mesmo tempo que nos dá uma nova perspectiva sobre isso: quantos alunos de fato tem acesso a boas oportunidades escolares? Quantos têm um local e os materiais adequados para estudarem quando não estão nas escolas?


Tais questionamentos abrem portas para um segundo passo nesse processo, com grandes oportunidades de melhoria para os líderes de comunidades educacionais. É importante ter em mente qual prioridade temos dado à equidade quando repensamos os formatos e papéis da escola.


2. Educação infantil e primeiros anos do Fundamental: na semana passada falamos um pouco sobre os desafios e oportunidades do ensino remoto com crianças pequenas, deixando claro o papel fundamental dos responsáveis nesse processo. Enquanto alunos maiores podem ser mais independentes no estudo de casa, os pequenos precisam de muito suporte e atenção tanto dos familiares quanto dos professores. Enquanto tenta-se viabilizar a aprendizagem, é importante direcionar os devidos esforços e recursos para essa classe de alunos, a fim de que suas perdas não sejam demasiadamente discrepantes quando comparadas aos demais, trazendo, principalmente, o olhar às competências socioemocionais e a relação dos alunos com os colegas.


3. Atividades extra: com a o prolongamento da pandemia, muitas escolas e redes acabaram por ter uma adaptação demorada e, só agora, estão retomando suas atividades e se reinventando em termos de fornecimento de materiais e novos recursos educacionais. Disso também pode-se tirar uma importante aprendizagem: métodos que vão além do dia a dia tradicional da escola podem trazer bons resultados, ajudando especialmente aqueles alunos com mais dificuldade. Sendo assim, por que não montar estratégias para manter esse tipo de iniciativa acontecendo mesmo nas aulas presenciais?


Uma sugestão é usar os recursos tecnológicos para incentivar a leitura por parte dos alunos. Organizar uma plataforma ou um canal de comunicação onde eles tenham acesso a livros e atividades relacionadas ao tema pode ser uma proposta interessante para contribuir para o desenvolvimento dos estudantes.


Equipe


4. Desenvolvimento profissional: muitos professores viram-se em uma verdadeira saia justa no início do ensino remoto, uma vez que nunca haviam sido capacitados nessa modalidade. Ainda assim, muitos se superaram, buscando formas de se adaptar, muitas vezes antes de receberem qualquer apoio da liderança de suas redes, por meio de vídeos, cursos e pesquisas. Uma porta de muitas oportunidades foi aberta nesse sentido, uma vez que muito conteúdo foi produzido e disponibilizado para os educadores. Sendo assim, por que não incluir essa modalidade de formação no dia a dia desses profissionais?


5. Saúde mental: professores, familiares e alunos tiveram suas vidas afetadas pela nova situação que vivemos. Alguns sofreram perdas, outros não conseguiram se adaptar muito bem à nova rotina, e o resultado são níveis crescentes de ansiedade e preocupações.


Há algumas semanas, falamos nesse post sobre como os educadores podem minimizar os impactos negativos da pandemia nos seus alunos, e a mesma situação deve ser considerada na hora de lidar com responsáveis e professores. Quanto de seus recursos (humanos, financeiros, de tempo…) você tem dedicado a acolher seus educadores? Como você tem entrado em contato com os familiares para também educá-los sobre o tema?


Relacionamento com a família e com os alunos


6. Virtual versus presencial: na Eu Ensino falamos muito sobre Ensino Híbrido, inclusive temos uma live, em parceria com o Sebrae, que você pode assistir aqui para saber mais sobre o tema. É nessa modalidade de ensino que estruturamos nossa trilha formativa, pois acreditamos que, conciliar interações remotas e presenciais pode trazer enormes benefícios. Do mesmo modo, com todo o aprendizado que os educadores tiveram e continuam tendo sobre o tema nesse período, pensar no uso dessa metodologia para melhorar o relacionamento da escola com seus alunos e os responsáveis pode ser uma ótima iniciativa.


7. Comunicação com a família: o envolvimento dos responsáveis na educação dos filhos sem dúvidas é um tema que passou por uma reinvenção em períodos de distanciamento social. Esse é um ótimo momento para desenvolver protocolos para engajamento das famílias. Mas como fazer isso de modo efetivo? Temos confiado e dado o suporte necessário às famílias? É preciso enxergar os familiares como parceiros e trabalhar colaborativamente.


Uma ideia é estabelecer um canal de comunicação aberto entre coordenadores, professoras e professores, seja por meio de reuniões periódicas ou formulários de ouvidoria ou devolutiva. A maneira como essa troca vai acontecer pode variar muito dependendo da realidade de cada escola, mas a ideia principal é ouvir e entender todos os lados envolvidos para estar continuamente buscando melhoria no processo educacional.


Essa pandemia acentuou diversas desigualdades em nossa sociedade. Nós não temos como prever o futuro, mas podemos discutir sobre questões relevantes que nos ajudarão a estar melhor preparados para as mudanças e desafios que ele nos reserva.


E você, o que tem feito para se preparar? Como as lideranças da sua escola ou rede têm se mobilizado para isso?

Referências:


KNIPS, Andrew. “9 Big Questions Education Leaders Should Ask to Address Covid-19”. Edutopia. Junho de 2020. Disponível em <https://www.edutopia.org/article/9-big-questions-education-leaders-should-ask-address-covid-19>. Acesso em 06/08/2020.

307 visualizações

EU ENSINO

Conectando experiências, desenvolvendo líderes.

whats t.png
  • Facebook Basic Black
  • Black Instagram Icon
  • YouTube
  • LinkedIn
  • Twitter