O primeiro ano

Relatos de uma professora


Para finalizar a retrospectiva sobre os meus primeiros aprendizados e desafios como professora, agora eu venho com um relato sobre o primeiro ano! Se você ainda não leu sobre o primeiro dia, o primeiro mês e o primeiro semestre, corre lá!


Eu poderia resumir o primeiro ano como professora assim: uma montanha russa de sentimentos. Ao longo desse tempo senti alegria ao ver alunos superando dificuldades, tristeza pelas reprovações, frustrações por não alcançar alguns objetivos, raiva de um sistema que muitas vezes nos torna contraproducentes, emoção ao receber um “obrigada” ou ao ler que fiz diferença na vida de alguns alunos. Sem dúvidas, essa profissão deixa marcas que jamais serão apagadas e eu sinto muitas saudades de conviver com aqueles seres humanos que tinham tanto a me ensinar. A educação é realmente apaixonante.


Quando eu saí da faculdade fiquei aliviada porque, teoricamente, nunca mais precisaria trabalhar com produção científica, pois era uma atividade que eu realmente não me identificava. Imaginem o quão surpresa fiquei quando descobri que durante o segundo e o terceiro bimestres eu deveria orientar uma das minhas turmas em um trabalho de produção científica! Bateu um certo desespero, pois nunca havia feito nada parecido. Além disso, por sorteio, minha turma orientada era conhecida como “a pior turma de se trabalhar”. Risos nervosos. Realmente, não era uma das turmas mais fáceis que eu tinha, mas eu não me deixei abater por esse estereótipo.


Um dos principais problemas que acometiam essa classe eram as faltas em grande número. No início do projeto, muitos grupos foram formados, de 5 a 6 alunos cada. Ao final do projeto, apenas 3 grupos restaram. Uma de minhas alunas inclusive apresentou o seu trabalho sozinha, pois todos os seus colegas desistiram no meio do caminho. Com essa realidade, houve muita dificuldade em realizar um trabalho relevante, de fato. E com a minha falta de experiência nesse tipo de projeto, não fui a melhor orientadora que poderia ter. Mas uma coisa que fiz questão de fazer, foi estar presente do início ao fim. Nos dias próximos à apresentação, em que avaliadores externos iriam dar notas e os melhores trabalhos seriam premiados, eu podia enxergar a apreensão e o medo dos meus orientados. Todos sabíamos que os trabalhos estavam longe de estarem ideais.


A solução que encontrei para deixá-los seguros de si, foi dar o meu melhor treinando-os para as suas apresentações. Eu pensava: “o conteúdo pode não ser o melhor, mas eles vão brilhar nessas apresentações”. E assim, depositei toda a minha energia para que eles mandassem bem quando o momento chegasse. Como resultado, ouvi muitos elogios dos avaliadores a respeito das apresentações. A lição que eu tirei dessa experiência foi que o nosso papel como professores é de sempre buscar manter a peteca no ar e ser um dos portos seguros dos alunos quando o barco parecer afundar. Além disso, essa experiência me deixou extremamente preparada para o ano seguinte, em que colhi premiações junto à minha nova turma orientada devido aos aprendizados que tirei do ano anterior.


Meus orientados e os avaliadores na Feira de Iniciação Científica Ada Teixeira 2018.


No primeiro semestre, os desafios estavam muito ligados à adaptação. Ainda estava me encontrando naquele ambiente e naquela profissão e muitas ações ainda eram experimentais. À medida que as semanas passavam, eu fui descobrindo o meu jeito de ser professora. O fim do primeiro semestre coincidia com o fim do segundo bimestre. Ou seja, nesse momento já era possível ter uma visão geral sobre a situação dos meus alunos em termos de aprendizado. Percebi que alguns já se encontravam a caminho da aprovação, outros estavam ainda no meio do caminho e alguns estavam em uma situação bem complicada.


Modelando outros professores, fiz uma ação a partir do segundo semestre: o apadrinhamento. Era uma espécie de tutoria para que alunos com maior aprendizado em Química pudessem ajudar seus colegas que possuíam mais dificuldades. A ideia era criar um instinto de colaboração entre os estudantes e eu buscava incentivar que eles se motivassem e se ajudassem para além da sala de aula. Essa ação ajudou a reverter muitas reprovações eminentes e aumentou o espírito colaborativo na sala de aula. Inclusive, no meu segundo ano como professora, mais professores aderiram ao projeto e além da premiação de notas nas disciplinas, os alunos com melhores resultados ganharam rodízio de pizza por nossa conta. Pensem na felicidade da garotada! Aí vai uma dica de ouro: incentivar uma competição saudável em suas aulas pode gerar um engajamento e comprometimento como nunca se viu!


Professores e alunos ganhadores do rodízio de pizza, em 2019.


Muitas outras coisas me marcaram na minha jornada como professora de primeira viagem, mas destaquei essas duas histórias, pois elas me mostraram a importância da continuidade de projetos em uma escola. A primeira vez que eles acontecem, tudo está longe de ser o ideal. Mas se eles são replicados ano a ano, podemos ir aprimorando, mais pessoas se juntam e um movimento maior começa a acontecer.


A mensagem que deixo a vocês nesse post é: pensem na escola como um ser vivo que evolui a cada ano. Façam projetos que tenham continuidade e agreguem cada vez mais pessoas a ele. Isso ajuda a garantir identidade e originalidade a esse ambiente que é tão essencial para a nossa sociedade.


Você está participando de projetos em sua escola? Me conta aqui nos comentários quais têm sido os principais desafios e aprendizados com eles!


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