O Poder da Escolha

Evidências de práticas para desenvolver autonomia nos alunos


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trouxe várias competências gerais a serem implementadas em sala de aula a partir de 2019. Uma delas é a autonomia, ou seja, agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação. E fica a pergunta, como nós professores podemos garantir que isso ocorra em nossas salas de aula?

Uma metodologia utilizada é a da “Escolha Instrucional” que se baseia no oferecimento de escolhas para que os alunos decidam como vão realizar aquela tarefa ou qual tarefa ele irá realizar, dando assim uma maior liberdade para o seu aluno e mantendo um direcionamento. Essa metodologia se divide em duas opções, sendo elas:

  • Dentro de atividades: o professor possibilita que os alunos determinem como será realizada uma determinada atividade (escolhida pelo professor). Tomando por exemplo um trabalho que deverá ser apresentado para a turma, o aluno poderá escolher como irá fazer isso, utilizando cartaz, apresentação de slides, vídeo, quadro branco e pincel, etc. Nessa opção também está inclusa, por exemplo, se o aluno pode realizar individual, dupla, etc ou qual o tema que ele irá utilizar. A primeira técnica da nossa trilha formativa começa a trabalhar essa autonomia no acolhimento realizado pelo professor diariamente.

  • Entre atividades: o aluno escolhe em qual atividade irá realizar como atividade escrita, apresentação oral, atividade prática, etc. Nessa opção, também entra a escolha de qual será a ordem que irão realizar as atividades.

Estudos apontam que essa abordagem garante maior engajamento do aluno nas atividades e diminuição de comportamentos negativos durante a aula. Outras pesquisas trazem o impacto dela na educação especial, onde ela vem se mostrando particularmente efetiva em desvios comportamentais e em déficits de aprendizagens. Um estudo utilizando apenas a opção “Entre atividades” demonstrou que essa técnica aumentou o engajamento dos alunos da educação especial em quesitos como escrita, leitura em voz alta, levantar a mão para responder de forma permanente, pois mesmo quando os professores pararam de utilizar a técnica, o comportamento se manteve. Os professores que participaram dessas pesquisas consideraram que é possível implementá-la sem maiores problemas durante a aula regular, necessitando apenas de maior preparo nas atividades das aulas.

Um ponto de atenção na implementação desta técnica é que há indícios de que ela não melhora o raciocínio lógico-matemático dos alunos, sugerindo apenas uma melhora de engajamento deles. Assim, é importante usar outras técnicas e atividades para estimular esse raciocínio, como o uso de perguntas complexas e da metodologia de aprendizagem significativa.

Essa pesquisa nos dá maior embasamento e traz evidências positivas em uma prática que muitos de nós já faz, nos dando segurança para trabalhar com maior clareza e intencionalidade em nossas aulas.

E você, já faz algo parecido em sua sala de aula? Comenta aqui embaixo quais estratégias você utiliza e quais os resultados observados. Boa Prática!

Referências:

ENNIS, R. P. LANE, K. L. OAKES, W. P. FLEMMING, S. C. Empowering Teachers With Low-Intensity Strategies to Support Instruction: Implementing Across-Activity Choices During Third-Grade Reading Instruction. Journal of Positive Behavior Interventions 1- 15. 2019.

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