O Poder da Autodeterminação

Pontos-chave para aumentar a motivação dos alunos na aprendizagem


Pesquisas feitas pelos psicólogos Richard Ryan, PhD, e Edward Deci, PhD na Teoria de Autodeterminação indicam que a motivação intrínseca (fazer algo porque é inerentemente interessante ou agradável) e, com ela, o aprendizado de maior qualidade prosperam em contextos que satisfazem necessidades humanas por competência, autonomia, e afinidade. Estudantes, no caso, vivenciam competência quando desafiados e recebem feedback imediato; vivenciam autonomia quando se sentem apoiados e encorajados a explorar, a tomar iniciativa, a desenvolver e implementar soluções para seus problemas; e vivenciam afinidade quando percebem outros os escutando e respondendo. Quando essas necessidades são correspondidas, estudantes são mais motivados intrinsecamente e engajados ativamente no seu aprendizado.


Numerosos estudos concluíram que alunos que se envolvem em estabelecer metas educacionais são mais suscetíveis a alcançá-las. Quando estudantes consideram como sua meta principal recompensas externas, como obter boas notas, eles mais frequentemente têm desempenhos inferiores, veem a si mesmos como menos competentes, e apresentam mais ansiedade do que quando acreditam que provas são somente um meio de monitorar o seu próprio aprendizado. Alguns estudos até verificaram que o uso de recompensas exteriores na verdade diminui a motivação para uma tarefa para a qual o estudante já estava motivado. Em uma examinação de 128 estudos que investigavam os efeitos de recompensas externas na motivação intrínseca, os Drs. Deci e Ryan, junto com o psicólogo Richard Koester, PhD, concluíram que recompensas desse tipo tendem a ter um efeito substancialmente negativo em motivações intrínsecas, por enfraquecer a responsabilidade tomada pelo indivíduo de se motivar e regular.


Pesquisas sobre autodeterminação também identificaram falhas em reformas escolares focadas em provas, altas pressões e riscos, que, apesar de suas boas intenções, levam os professores e administradores a tomar parte precisamente nos tipos de intervenções que resultam em aprendizado de baixa qualidade. O Dr. Ryan e seus colegas concluíram que a avaliação por meio de provas tende a restringir a autonomia dos professores com relação ao currículo, como ele é ensinado, e a sua habilidade de atender aos interesses dos seus alunos. Além disso, psicólogos também afirmam que esse sistema acaba por reduzir o interesse dos professores em ensinar, o que tem efeitos adversos no aprendizado e na motivação dos seus alunos.


O processo descrito pela teoria da autodeterminação pode ser particularmente importante para crianças com necessidades especiais. O pesquisador Michael Wehmeyer verificou que estudantes com deficiências que são mais autodeterminados são também mais suscetíveis a serem empregados e viverem independentemente ao terminarem o colegial do que outros alunos menos autodeterminados.


Pesquisas mostram também que os benefícios educacionais dos princípios da autodeterminação não acabam com a formatura do colegial: essa orientação quando aplicada a estudantes de nível superior (seja referente a controlar o comportamento dos estudantes ou incentivando a sua autonomia) também influencia a sua motivação e o seu aprendizado.


Algumas aplicações práticas da teoria:


Os Drs. Field e Hoffman desenvolveram um modelo para guiar o desenvolvimento de intervenções instrucionais para a autodeterminação. De acordo com o modelo, atividades instrucionais para aumentar habilidades como o autoconhecimento, tomada de decisões, estabelecimento de metas e realização de metas, comunicação e relacionamentos interpessoais, o desenvolvimento das habilidades de celebrar o sucesso e o aprendizado por meio da reflexão levaram ao aumento da autodeterminação dos alunos. Projetos de autodeterminação como esse ensinam os estudantes a participar ativamente da tomada de decisões educacional pois os familiariza com com o processo de planejamento, os auxilia a identificar informações que eles gostariam de compartilhar, e os apoia no desenvolvimento de habilidades para comunicarem efetivamente suas necessidades e vontades.


Alguns exemplos de atividades usadas em projetos instrucionais de autodeterminação incluem refletir sobre devaneios e fantasias, para ajudar a identificar o que é importante para cada aluno; ensinar estudantes a estabelecer metas que são importantes para eles e, com apoio de seus colegas, família e professores, tomar medidas para alcançar tais metas. Proporcionar formas de apoio bem contextualizadas e oportunidades aos estudantes, como treinamento para resolução de problemas e oportunidades de escolhas também são elementos críticos que levam à autonomia e competência, e, portanto, reforçam a autodeterminação.


Como você tem incentivado seus alunos a manterem-se engajados em sua própria aprendizagem? Conta pra gente nos comentários :)

Referências:


American Psychological Association. "Increasing Student Success Through Instruction in Self-Determination". Julho de 2004. Disponível em https://www.apa.org/research/action/success

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