Meus alunos se comportam mal. O que fazer?

O papel dos professores no ensino de habilidades comportamentais


No geral, acredita-se que o comportamento da criança é, em grande parte, resultado do que ele aprende em casa. E em parte é isso mesmo. Diversas pesquisas mostram que a forma como os responsáveis agem, e como reagem às ações das crianças influencia nas suas condutas. Entretanto, as crianças, no geral, passam muito tempo do seu dia na escola, de forma que, ensinar sobre conduta também é tarefa dos professores, por mais que não esteja formalmente previsto no escopo de trabalho dos professores. Por isso mesmo, muitos não sabem como "ensinar" tais habilidades aos alunos. Isso se torna, dessa maneira, um grande ponto de atenção, uma vez que os professores, assim como os responsáveis, acabam influenciando através de suas ações e reações, no comportamento da criança - seja positiva, ou negativamente. E agora?? Trabalhamos isso com profundidade na técnica 6 da nossa trilha formativa, mas vamos trazer aqui algumas dicas simples que você pode adotar no seu dia a dia. A primeira coisa que é preciso desconstruir é em relação a capacidade de adquirir novos hábitos e habilidades. Se o professor acredita que as características daquele aluno (ou suas próprias) são inalteráveis, nada pode ser feito. A partir disso, precisamos pensar que a mudança conceitual ocorre através da assimilação e acomodação, ou seja, o aluno precisa, para mudar seu comportamento, assimilar o novo e internalizá-lo. E isso acontece de maneira muito mais fácil através de experiências concretas. Legal, e na prática, fica como?

  1. Fazer com que o aluno reflita sobre seus comportamentos. Ao pensar sobre suas atitudes, ele pode compreender que talvez aquela não tenha seja a melhor forma de agir. Algumas dicas de como fazer isso na prática: * De maneira escrita * Através de atividade oral Caso seja complicado para o aluno refletir sobre sua própria conduta, é possível trazer exemplos de outras crianças. Em uma sala de aula onde ocorre bullying, uma maneira de tratar o tema, ao invés de trazê-lo à tona quando a situação estiver acontecendo, o que pode apenas causar raiva e irritação nos alunos, é trazer um caso de intimidação e propor uma discussão, em outra ocasião, sobre como eles deveriam agir. Isso pode ser feito tanto através da escrita como de forma oral. Através do debate, entretanto, às vezes a reflexão é mais rica pois os alunos são expostos a múltiplas perspectivas ao ouvir a análise de outras pessoas. O papel dos professores, nesse caso, é questionar e orientar os alunos a considerarem idéias ou perspectivas que não foram levantadas ou pouco estudadas.

  2. Identificar que existem diferentes níveis de desenvolvimento por faixa etária Na hora de elaborar reflexões, é importante pensar no nível dos seus alunos. Qual a sua faixa etária? Qual o nível da sua compreensão? É inegável que o raciocínio das crianças funciona de maneira diferente ao dos adultos. Dessa forma, às vezes algumas reflexões não alcançarão os alunos, a não ser que sejam realizadas a partir do ponto de vista deles. Por isso, os professores devem tentar pensar como uma criança na hora de elaborar as atividades. No caso de crianças menores, por exemplo, talvez seja melhor refletir através de atividades mais lúdicas do que um debate.

  3. Compreender que os responsáveis são peça chave Os responsáveis, assim como os professores, influenciam diretamente no comportamento das crianças, principalmente das menores. Dessa forma, é necessário incluí-los no processo de aprendizagem e na vida escolar. Assim, ao invés de dividir a vida do aluno em caixas: responsáveis e professores devem trabalhar juntos no desenvolvimento das crianças.

É importante pensar em maneiras para aproximar o responsável do ambiente escolar e conversar com eles sobre técnicas que podem ser feitas em conjunto para que o aluno compreenda que determinados comportamentos que está tendo são errados, e quais seriam mais adequados. Isso porque não adianta o professor falar uma coisa, e em casa, os responsáveis falarem outra. A comunicação de ambos deve estar alinhada. Trazemos dicas práticas sobre como fazer isso no artigo "Aliados em tempos de Covid-19". Claro que essas medidas não são fórmulas mágicas, e inclusive é importante o professor compreender isso. Pode ser que, devido a questões que não dependem das ações em sala de aula, os alunos não mudem seus comportamentos. Apesar disso, sugerimos e incentivamos tentarem as práticas citadas. Garantimos que mesmo que o resultado não seja efetivo para todos os alunos, a cada um que conseguir tocar, seu coração ficará quentinho e terá, sem dúvidas, impactos muito positivos na vida desse jovem.

Referências:

Texto baseado no artigo: Denise H. Daniels, Denise H; Sumow, Lee. Child development and classroom teaching: a review of the literature and implications for educating teachers. Applied Developmental Psychology . 2003. Vol. 23, Pag.495–526.

EU ENSINO

Conectando experiências, desenvolvendo líderes.

whats t.png
  • Facebook Basic Black
  • Black Instagram Icon
  • YouTube
  • LinkedIn
  • Twitter