Meus alunos procrastinam. E agora?

3 Razões pelas quais os alunos procrastinam - e como ajudá-los a parar


Leonardo da Vinci demorou aproximadamente 16 anos pintando a Mona Lisa - e não a finalizou. O autor de Guia dos Mochileiros da Galáxia, Douglas Adams, escreveu “Eu adoro prazos. Eu amo o barulho irritante que elas fazem quando estão se aproximando.” E Frank Lloyd Wright gastou meras duas horas desenhando Fallingwater - depois de procrastinar por nove meses. Piers Steel (2007) diz: “Procrastinação é extremamente predominante. Estima-se que de 80 a 90% de estudantes de universidades procrastinam, aproximadamente 75% se consideram procrastinadores e quase 50% procrastinam constantemente e de forma problemática.” Se você é um professor, provavelmente você tem procrastinadores em suas salas de aula - estudantes que consistentemente esperam até o último minuto para entregar suas tarefas ou postergam o estudo até a última noite antes de uma prova. Esse atraso tem um custo: um estudo feito com estudantes de escolas de negócios mostrou que quanto mais eles esperavam para entregar um teste, pior eram suas as notas, perdendo 5 pontos percentuais nessas matérias, ou tendo um desconto de até 2 pontos de um total de 10. (Arnott & Darko, 2015). Outra pesquisa feita em 2015 corrobora esse resultado, ao confirmar que a procrastinação está associada a notas mais baixas em 33 estudos que incluíram mais de 38.000 estudantes. (Kim & Seo, 2015) É comum a percepção de que estudantes que procrastinam fazem isso porque eles não se importam para as tarefas. Mas vários estudos indicam que outros fatores estão ligados a esse hábito, como altos níveis de estresse, depressão, ansiedade e cansaço, além de outros motivos. Se você quiser se aprofundar mais, esse estudo (em inglês), realizado em 2016, traz informações a respeito desses fatores. Mas e o que você, como professor, pode fazer? Aqui vão 5 sugestões de como encorajar os alunos a não procrastinar: 1. Espalhe prazos Pesquisas investigaram o impacto de três tipos de prazos para uma série de tarefas: espaçamento uniforme, auto-imposto ou um prazo final único. No primeiro experimento, estudantes receberam três trabalhos e foi sugerido que entregassem um no final de cada mês (totalizando três meses), mas eles tinham três opções: seguir a sugestão e entregar um no final de cada mês, escolher seus prazos ou entregar tudo no final. No segundo experimento, os alunos receberam três tarefas e poderiam enviar cada uma semanalmente, no seu próprio ritmo, ou poderiam entregar tudo de uma só vez. Nos dois experimentos, os prazos uniformemente espaçados contribuíram que melhores trabalhos fossem feitos e contribuiu para que os alunos não perdessem os prazos. (Ariely & Wertenbroch, 2002)


2. Forneça devolutivas de suporte Estudantes com baixa auto-estima podem ser relutantes em dar o seu melhor se eles estiverem preocupados com críticas ou tiverem medo de falhar. Evite dar críticas duras ou devolutivas negativas, que podem gerar consequências não intencionais ou deixar os alunos nervosos ou constrangidos. Eles podem reagir mal a correções diretas, que parecem querer controlar, então evite também ser muito explícito sobre o que precisa ser corrigido. Dê algumas sugestões e permita que eles também encontrem o que precisa ser melhorado. Seja cuidadoso ao dar devolutivas aos estudantes na frente de outras pessoas, pois eles podem se sentir desconfortáveis e ficar desencorajados. 3. Ensine habilidades de gerenciamento de tempo e estudos Uma pesquisa feita em 2017 encontrou que faltam habilidades metacognitivas em muitos estudantes - habilidades que eles precisam para poder estudar de forma efetiva, como a capacidade de determinar um tempo de estudos ou de saber quando pedir ajuda. Muitos participantes dos estudos ficaram surpresos quando seus pontos iniciais eram menores que esperavam - eles não tinham um senso acurado sobre o quão bem preparados estavam. Eles foram então encorajados a se planejar com antecedência para um próximo teste e foram mostrados exemplos de como poderiam se preparar. Os resultados foram significativos: comparados aos seus pares, estudantes que participaram das atividades metacognitivas obtiverem quase um ponto a mais, em média. (Chen et al. 2017) 4. Preste atenção à carga de trabalho A probabilidade de estudantes ficarem até tarde realizando trabalhos aumenta quando os prazos de diferentes tarefas coincidem. E isso pode acontecer frequentemente no ensino fundamental II e médio, pois os alunos possuem vários professores. Eles também podem experimentar alto nível de estresse quando não conseguem gerenciar múltiplas tarefas com prazos de entrega iguais. Considere conversar com outros professores para que juntos definam seus prazos e os espalhem de maneira uniforme! Além disso, estudantes podem encontrar adversidades que também impactam sua capacidade de finalizar as tarefas a tempo, como cuidar de um membro da família ou trabalhar para ajudar financeiramente em casa. Nesses casos, ser flexível com os prazos pode ajudá-los a se manter firmes nas entregas. 5. Dê exemplos e instruções claras Estudantes têm maior probabilidade de adiar um projeto quando eles não sabem como começar. Garanta que todos os estudantes conhecem suas expectativas e os requisitos dos trabalhos - é interessante anotar as instruções, assim eles podem consultá-las quando necessário. Você também pode dar exemplos de como gostaria que o trabalho fosse feito, para ajudá-los a entender melhor o que se espera da tarefa. Agora queremos saber de você: o que achou dessas técnicas? Qual delas você gostaria de aplicar já na próxima aula? Compartilhe com a gente depois como foi a sua experiência!

Referências:


TERADA, Youki. 3 Reasons Students Procrastinate—and How to Help Them Stop. Edutopia, 2020.

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