Lição aprendida com a pandemia: Reserva de emergência, é preciso começar!

Por Alzira de Oliveira Reis e Silva, pedagoga especialista em educação financeira


A instabilidade do atual cenário econômico brasileiro, diante de uma pandemia que, desde março, vem comprometendo as relações sociais e econômicas, aumentou, ainda mais, a vulnerabilidade de todas as famílias. A escassez ou a limitação de recursos atuou como agravante desta vulnerabilidade: imprevistos como a perda do emprego, doença na família, falecimento de parentes geraram um grande desequilíbrio no orçamento destas famílias, levando-as ao endividamento e inadimplência.


A inadimplência das famílias brasileiras em agosto/2020 atingiu o maior patamar em mais de 10 anos segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O percentual de famílias com dívidas no país subiu para 67,5% em agosto – novo recorde histórico da série iniciada em janeiro de 2010, superando a máxima anterior registrada em julho (67,4%). No comparativo anual, o índice registrou aumento de 2,7 pontos percentuais.


O total de famílias com dívidas ou contas em atraso e, portanto, inadimplentes, aumentou para 26,7% em agosto, contra 26,3%, em julho, atingindo a maior proporção desde março de 2010 (27,3%). Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a proporção cresceu 2,4 pontos percentuais.


Esta situação torna-se ainda mais delicada, quando se observa que, além dos fatores estruturais, macro e microeconômicos, a dificuldade do consumidor brasileiro em administrar o seu orçamento, suas dívidas e adquirir bens, agrava este quadro de inadimplência e endividamento (MACEDO JR, 2007). A realidade no Brasil é que as pessoas não foram educadas para pensar sobre dinheiro na forma de administração e, também não criam o hábito de ter um fundo de emergência para as situações de imprevistos ou até mesmo para a realização de um projeto de vida no futuro. A maioria gasta aleatoriamente sem refletir sobre seu contexto financeiro e os impactos futuros.


Desde o início da pandemia, as famílias ficaram expostas a situações que comprometeram a vida financeira. Foram muitas as situações, mas aqui destacamos as que mais contribuíram com os números tão elevados da inadimplência: a perda do emprego; a redução da jornada de trabalho, gerando diminuição de renda; falecimento de parentes em decorrência da COVID-19. A partir destas situações, um tema, que poucas vezes era mencionado, passou a fazer parte de muitas Lives e ganhou espaço nas redes sociais: a necessidade de se ter uma reserva de emergência.


Quem tinha uma reserva ou um dinheiro guardado ou algumas “economias” – não importava o título, no início da pandemia, pôde passar por ela um pouco mais confortável. Porém, é importante dizer que não é fácil pra ninguém ter que passar por situações de grandes desafios se mantendo firme sem afundar. E quem não tinha nada de reserva de emergência teve que ter resiliência, enfrentar esse grande desafio e começar a pensar em como organizar a sua vida financeira em novos tempos. Certamente, também não foi fácil.


Se não há dinheiro ou, ainda, se estamos endividados, como ter uma reserva de emergência?


A professora Dra Vera Rita de Melo Ferreira, no seu canal do YouTube “Pílulas de Psicologia Econômica”, nos ajuda a refletir sobre alguns pontos valiosos, quando começamos a guardar dinheiro para ter uma reserva de emergência: “Se você conseguir guardar, mesmo que seja um pouquinho, talvez R$2,00, R$5,00, ou mesmo aquele troco (moedas) de alguma compra isso pode, não só te ajudar a consolidar e criar um hábito, mas também te relembrar de que você guarda dinheiro para você mesmo; de que você batalha pra ter dinheiro para um bem-estar e não só para ficar pagando boleto e, pior ainda, pagando dívidas pro resto da vida. Começar grande, certamente, é muito difícil. Comece pequeno e vá descobrindo que é possível guardar dinheiro pra você mesmo; para um bem que está dentro de você”.


Veja, a seguir, cinco atitudes que poderão te ajudar a começar a ter uma reserva de emergência:


1. Anote todas as suas despesas, diariamente. Se for preciso, conte com a ajuda de alguém da família. O registro pode ser num caderno ou mesmo no celular.


2. Se tiver dívidas, escreva-as (nome da dívida e o valor). Trace um plano para começar a quitar. Busque renegociar a dívida. Troque dívidas com juros muito alto (cartão de crédito, cheque especial), por alguma que tenha menor juros (crédito pessoal, crédito consignado ou empréstimo tendo como bem em garantia).


3. Pague a si mesmo primeiro. Isso mesmo, coloque o seu nome como sendo a primeira despesa do seu orçamento. Mesmo que seja um valor pequeno. Experimente retirar do dinheiro que entra, uma quantia que será para você e deposite numa conta de poupança.


4. Faça uma poupança automática. Procure o seu gerente e defina um valor que será debitado do seu pagamento e será direcionado para uma poupança automaticamente, sem passar pelas suas mãos.


5. Elimine os desperdícios do seu orçamento. Estabeleça metas para reduzir os seus gastos. Tudo que você conseguir economizar, coloque na conta de poupança.


E você, já tem uma reserva de emergência? Quais os principais desafios quando se fala nesse tópico?



Agradecemos muito à Alzira pela disponibilização dessas dicas tão importantes!

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