Lesson Study: técnica para formação continuada através da colaboração

Trabalho em grupo de professores e seus resultados


A formação continuada dos professores é essencial na docência. Sabemos que o mundo e os alunos estão em constante mudança, logo, nada mais apropriado do que a educação também acompanhar esse processo. Entre as diversas maneiras de incentivar o aprendizado dos docentes, a colaboração entre pares é uma das que gera melhores resultados.


Essa troca pode ser através de ações simples, como o compartilhamento de experiências, podendo avançar por uma ajuda e assistência mais estruturada entre os professores, para o compartilhamento de métodos e materiais até, quem sabe, a elaboração conjunta de aulas e sua posterior avaliação.


Em um post anterior do blog, comentamos um pouco sobre ações que os gestores podem ter para começar uma cultura colaborativa, e nesse artigo em específico, vamos focar em uma técnica de trabalho colaborativo chamada Lesson Study.


O Lesson Study é uma técnica japonesa que surgiu especificamente para o componente de matemática, mas que pode ser adaptado aos demais. A proposta é que um grupo de professores da mesma disciplina se unam para elaborar uma aula/sequência didática, apliquem-na em sala, observem e reflitam criticamente sobre o resultado. O objetivo é identificar técnicas e metodologias que podem melhorar a qualidade do ensino pensando nas especificidades de cada escola, faixa etária e ano escolar. Ao fazer isso, por sua vez, os professores também se desenvolvem, de maneira que a técnica é considerada como uma prática muito positiva para formação docente.


Como implementar essa técnica?


Definição de um objetivo: o Lesson Study começa com o estudo do currículo do componente, e a formulação de um ou mais objetivos que devem ser alcançados com a aplicação da sequência didática (ex: melhorar o aprendizado de tabuada pelos estudantes).


Elaboração da aula e/ou sequência didática: a seguir, o grupo de docentes deve elaborar a aula/sequência didática, pensando nas expectativas de reações e dificuldades dos alunos, dúvidas que possam ter, o fluxo de processo de construção de conhecimento dos estudantes e como espera finalizar a aula, retomando seu objetivo.


Aplicação do planejamento: um dos professores será escolhido para ministrar a aula, e os demais participantes devem ficar como observadores. Nesse momento, os professores devem coletar dados para a avaliação crítica da aula: registro de falas dos alunos, dúvidas mais frequentes, reações, etc.


Análise crítica: após o término da aula, os observadores (que podem contar inclusive com pessoas externas) e o professor que a ministrou se reúnem para trocar e compartilhar as informações coletadas, de maneira a refletir sobre o aprendizado dos alunos e as mudanças que podem ser feitas em oportunidades seguintes. O professor que ministrou a aula deve iniciar a reflexão com sua autoavaliação, com as experiências previstas e as executadas, depois disso os demais vão fazendo suas colocações.


Melhoramento e reaplicação da proposta: após a análise, a proposta é que essa aula seja aplicada novamente em outra sala de aula, com as adaptações inseridas depois da aplicação anterior.


A proposta é que esse processo seja cíclico, buscando o desenvolvimento dos profissionais da educação e a melhoria da qualidade de ensino oferecida aos estudantes. Após duas ou três aplicações, a proposta é que seja elaborada uma outra aula/sequência didática de acordo com a sequência dos conteúdos propostos pelo currículo, de maneira que o Lesson Study caminhe junto com o que os alunos devem estar aprendendo naquele momento, e que outra pessoa do grupo de estudos seja o professor a ministrar a aula.


Essa técnica é bem mais avançada no aspecto de trabalho colaborativo, e, para que ela funcione, é importante que a cultura de cooperação já esteja mais enraizada na escola, de forma que os professores se sintam confortáveis para exporem sua prática pedagógica. Os resultados, entretanto, tanto para os alunos quanto para os docentes, são extremamente positivos. Diante disso, convidamos você a testar na sua escola, e nos contar depois quais foram as impressões.

Referências:


Loes de Jong, Jacobiene Meirink, Wilfried Admiraal. School-based teacher collaboration: Different learning opportunities across various contexts. Teaching and Teachers education, v. 86. 2019. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0742051X18315579


Ideas for establishing lesson-study communities. Teaching Children Mathematics. The National Council of Teachers of mathematics. Maio, 2004. Disponível em: http://bsl-utrecht.nl/wp-content/uploads/sites/62/2015/11/Takahashi-2004-Ideas-for-establishing-Lesson-Study-communities.pdf

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