Já é hora de voltar às aulas presenciais?

Exemplos de outros países e análise da situação brasileira sobre a reabertura das escolas


Recentemente, alguns estados e municípios brasileiros têm se posicionado com relação à volta às aulas presenciais em redes públicas de educação. Do mesmo modo, recentemente a cidade do Rio de Janeiro liberou que escolas particulares possam retomar suas atividades presenciais com alunos de 4 anos a partir de agosto, reforçando uma ideia de que “é hora de voltar”, mesmo que, por outro lado, o sindicato de professores tenha se manifestado contrário à decisão. Com essas rápidas colocações já fica claro o quão controverso é o tema! Pensando nisso trouxemos aqui algumas contribuições para mostrar as questões que estão em jogo.


Vamos começar olhando para quem já voltou às aulas. Temos alguns casos de sucesso, como a Dinamarca, onde o uso de máscaras nem chegou a ser obrigatório. Com um pouco mais de 13.500 casos da doença confirmados, as aulas foram retomadas gradativamente desde 15 de abril com diversas medidas de prevenção, como divisão das turmas, lavagem frequente das mãos e distanciamento. Mesmo com todos os cuidados e recursos, o número de casos entre educadores aumentou após o retorno, mas as escolas seguiram abertas.


Por outro lado, temos o caso do Reino Unido, que começou a retomada das aulas presenciais no dia 1º de junho. Crianças das creches e maternais passaram a sentar em carteiras afastadas e tiveram sua interação em grupos muito reduzida. Além disso, turmas foram divididas em grupos, com alguns alunos indo em dias diferentes da semana. Uma escola acompanhada pela BBC em seu primeiro dia de retomada recebeu apenas 32 alunos de 85 esperados, visto que alguns pais ainda não se sentiam confortáveis em enviar seus filhos.


O último caso de outros países que queremos trazer é o da França. Lá as escolas iniciaram a retomada de atividades presenciais no dia 11 de maio. Mesmo com medidas preventivas e com apenas parte das crianças tendo retornado às escolas, o número de casos aumentou significativamente e as aulas presenciais foram novamente suspensas e mais de 70 escolas fechadas uma semana após a reabertura.


Mas e no Brasil? Aqui as decisões têm sido tomadas de forma gradual e não uniforme. Nove estados e o Distrito Federal devem retomar as aulas presenciais na rede pública nos próximos dois meses. Apesar disso, são poucos os estados e capitais com planos e cronogramas já definidos sobre esse retorno.


O MEC divulgou no dia 1º de julho algumas diretrizes para a volta, como o uso de máscara obrigatório, frequente medição de temperatura, higienização com álcool em gel, distanciamento, escalonamento de funcionários, entre outros. Mas será que, de fato, pais, familiares, alunos e educadores terão a segurança necessária com essas medidas?


Pelo exemplo da Inglaterra, acreditamos que as chances são altas de muitos pais preferirem não enviarem seus filhos às escolas nesse início, especialmente aqueles menos afetados pela crise. Por outro lado, para alguns essa pode ser uma alternativa importante para conseguirem retomar suas atividades e, por isso, acabem optando por enviar suas crianças à escola, mesmo que preferissem não fazê-lo ainda.


Uma situação ainda mais delicada diz respeito às crianças da Educação Infantil. Enquanto alguns países têm priorizado essa etapa para retornar primeiro por sua baixa taxa de infecção, as medidas ainda precisam ser respeitadas, o que é extremamente difícil para os pequenos. Como garantir o uso das máscaras e o distanciamento sem que os alunos sintam-se muito desconfortáveis e ansiosos? Como agir com alunos que convivem com pessoas de grupos de risco e, mesmo sem apresentar sintomas, podem ser veículos de contaminação? Se a ideia com o retorno das aulas presenciais é minimizar os impactos que a pandemia tem gerado na educação, qual o ponto positivo em reforçar desigualdades entre alunos que poderão e não poderão retornar?


Apesar disso, sabemos que os desafios são ainda maiores quando consideramos os impactos negativos que o distanciamento tem causado nos jovens brasileiros. Notícias e estudos mostram o quanto os níveis de ansiedade e estresse têm aumentado, e parte disso está relacionado à falta de um espaço apropriado em casa para estudar ou relaxar e da falta de socialização com outras pessoas. Acreditamos que ainda não é momento de voltar às aulas presenciais no Brasil. A pandemia ainda nos afeta de maneira intensa e é preciso muita cautela para tomar esse tipo de decisão.


Sendo assim, o que pode ser feito? Damos aqui algumas sugestões:

  • Se você tem acompanhado nossa série de posts #EuEnsinodeCasa deve ter percebido que temos dado várias dicas sobre atividades, ferramentas e estratégias para conduzir suas aulas remotas. Recomendamos que você volte um pouco nos artigos dessa série e veja quais temas pode ser apropriados para a sua realidade.

  • Aos professores: conscientize seus alunos sobre a pandemia e mantenha aberto um canal de comunicação com eles, para que haja um espaço seguro de troca e, assim, eles possam se sentir mais seguros e confortáveis.

  • Aos coordenadores pedagógicos e gestores de escola: mantenha uma rede de apoio com seus educadores. Muitos podem estar enfrentando um momento muito delicado, e é importante que se sintam amparados. É também um momento de reinvenção, portanto procure formações que os auxiliem a realizar suas funções da melhor maneira. Se você ainda não conferiu nosso curso para Gestão Virtual de Equipes, clique aqui.

  • Aos secretários de educação: lembre-se que o impacto de suas ações é muito sentido pelos educadores que compõem sua rede. Manter um canal aberto de comunicação com eles pode ser um ótimo início para entender as demandas e opiniões sobre o tema da volta às aulas presenciais. Procure incluí-los no processo decisório e ajude para que todos mantenham-se informados sobre as situações no seu município e/ou estado. Se você precisar de ajuda para conduzir essa pesquisa com os educadores da sua rede, temos uma equipe que apoia secretarias em iniciativas deste tipo. Entre em contato com a gente ou saiba mais aqui.


Quais os maiores desafios enfrentados no seu município com relação à volta às aulas presenciais? Alguma medida já tem sido tomada? Conta pra gente nos comentários!

Referências:


"Professores rejeitam retorno de aulas presenciais em escolas particulares do Rio". Notícias UOL. Disponível em https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2020/07/21/professores-rejeitam-retorno-de-aulas-presenciais-em-escolas-particulares-do-rio.htm


"Como está sendo a volta às aulas na Europa e na Ásia?". Escolas Exponenciais. Disponível em: https://escolasexponenciais.com.br/desafios-contemporaneos/como-esta-sendo-a-volta-as-aulas-na-europa-e-na-asia/


"Coronavírus: as estratégias e desafios dos países que estão reabrindo suas escolas" BBC News Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52944468


"Nove estados e o DF têm previsão de retomada das aulas presenciais na rede pública estadual até setembro". Notícias do G1. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/07/21/oito-estados-e-o-df-tem-previsao-de-retomada-das-aulas-presenciais-na-rede-publica-estadual-ate-setembro.ghtml


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