Interações sociais e compreensão de leitura

Atualizado: há 7 horas

Evidências em um estudo na primeira infância


Quando pensamos em desafios fonéticos, é comum que o foco seja a dificuldade dos alunos em atingir a proficiência de leitura. De fato, os dados confirmam essa preocupação. Os resultados da Prova Brasil de 2013 revelaram que 40% dos estudantes brasileiros não conseguem identificar a ideia principal de um texto depois de terem feito a leitura, isso depois de terem passado 9 anos na escola. O que se observa, ainda, é que a universalização do acesso à escola formal não significou uma anulação da taxa de analfabetos entre 7 e 14 anos, indicando algum tipo de deficiência no modo como as escolas tratam o processo de alfabetização. Além disso, alguns outros obstáculos desafiam os educadores: como podemos desenvolver os elementos vitais de leitura que vão além das habilidades de decodificação e compreensão fonética?


A visão dominante afirma que a maneira de melhorar o problema de leitura primária é fazendo com que as escolas empreguem mais tempo na fase de alfabetização. Muitas escolas fornecem um “bloco de alfabetização” que pode chegar a mais de duas horas por dia, sendo boa parte desse tempo alocada para o desenvolvimento de habilidades como “encontre a ideia principal desse texto” e “determine qual a perspectiva do autor”. No entanto, essa estratégia parece não estar funcionando.


Em contraposição a essa visão, alguns psicólogos, analistas e educadores há muito tempo duvidam que a leitura é uma habilidade simples que pode ser dominada independentemente da aquisição de conhecimento. Para esse grupo de “contrários”, um foco em conteúdo acadêmico - não em uma leitura generalizada e suas habilidades - irá preparar melhor os estudantes com o suporte que precisam para compreender todos os tipos de texto e, assim, transformá-los em pessoas de fato alfabetizadas.


Trazendo novas evidências a esse debate, o diretor de pesquisa da Universidade de Fordham, em Nova York, Adam Tyner, e a pesquisadora em primeira infância Sarah Kabourek exploram se o tempo gasto em sala de aula na primeira infância de fato está sendo usado da melhor maneira. Eles analisaram uma enorme quantidade de dados do estudo nacional norte-americano em primeira infância de 2010 a 2011, que acompanha milhares de estudantes em sua transição da educação infantil para o primeiro ano do fundamental. Eles examinam como o tempo de sala de aula é usado em diferentes disciplinas, quando e se alunos que passam mais tempo em determinadas disciplinas têm melhor desenvolvimento de leitura e como os efeitos dessas ações diferem em estudantes com características distintas entre si.


A análise dos dois pesquisadores trouxe algumas conclusões principais. Dentre elas, temos:


1. Estudantes da educação primária nos Estados Unidos passam mais tempo estudando inglês (gramática, ortografia e conteúdos relacionados à alfabetização) do que todas as outras disciplinas.


2. Maior tempo alocado para estudos sociais, em disciplinas não relacionadas à alfabetização diretamente, está associado a melhorias nas habilidades de leitura.


3. Os alunos que mais se beneficiam dessa estratégia são meninas e aqueles com baixa renda e/ou com familiares não falantes da língua inglesa.


Embora certamente bem intencionado, gastar tempo extra ensinando gramática e ortografia pode não render muito no sentido de melhorar a leitura. Em vez disso, o que a pesquisa aponta é que as escolas primárias deveriam considerar a criação de mais espaços para ensino de alta qualidade em história, educação cívica, geografia e outras disciplinas ricas em conhecimento, que abrangem estudos sociais e sejam envolventes. Nossa geração mais jovem de leitores ficará ainda mais forte por causa disso.

Falamos nesse post sobre a importância da leitura para o bom desenvolvimento dos indivíduos, e a BNCC pode ser uma grande aliada nesse sentido!


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Veja alguns exemplos de temas desenvolvidos:


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Referências:


Instituto Ayrton Senna. “A Ineficiência do Processo de Alfabetização - Capítulo 3”. Disponível em https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/guia-educacao-integral-na-alfabetizacao


Adam Tyner e Sarah Kabourek. “Social Studies Instruction and Reading Comprehension: Evidence from the Early Childhood Longitudinal Study”. Setembro de 2020. Disponível em https://fordhaminstitute.org/national/resources/social-studies-instruction-and-reading-comprehension

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