Impacto da pandemia no bem estar do aluno

Os variados efeitos da pandemia na vida do aluno e como agir para contorná-los


Que a pandemia acentuou algumas desigualdades sociais, especialmente as relacionadas ao acesso às tecnologias, não é novidade aqui pelo blog (confira aqui o post que fizemos sobre isso). Hoje queremos discutir um tema muito em voga nos últimos dias: a volta às aulas presenciais e os impactos na aprendizagem e bem estar físico e mental dos alunos, trazendo algumas dicas sobre como os professores podem agir para amenizar possíveis impactos negativos.


Algumas pesquisas estão sendo realizadas sobre o tema, e uma, feita analisando o caso dos estudantes dos Estados Unidos, traz dados interessantes. Os autores do estudo sugerem que, em comparação com a volta às aulas depois de férias, recesso ou momentos semelhantes, a volta às aulas presenciais no pós-pandemia pode mostrar uma perda do aprendizado correspondente em leitura de até 66% e de 44% em matemática.


Esses números, no entanto, são muito variáveis quando analisadas as situações de alunos de diferentes condições socioeconômicas. Enquanto alguns têm condições de manter uma rotina de leitura e recebem esse apoio dos pais, por exemplo, outros não têm os recursos nem o suporte necessário para fazê-lo, o que aumenta a distância entre os alunos das diversas redes e até mesmo dentro de uma só sala de aula. Facilmente podemos imaginar a mesma situação no Brasil, não é mesmo? Segundo a autora do estudo, Megan Kuhfeld, essa disparidade de níveis de perda entre alunos será o maior desafio nas aulas pós-pandemia.


As razões estão relacionadas tanto às diferenças socioeconômicas quanto aos diferentes impactos nas famílias de cada estudante. Apesar de crianças não serem muito propensas a serem infectadas pelo novo coronavírus, variadas experiências familiares de perdas, luto e impacto financeiro refletem diretamente na sua vida e bem-estar.


Outro estudo realizado pela JAMA Pediatrics alerta ainda que esse fator pode ser intensificado quando considerados os muitos casos em que o ambiente e o suporte escolar são a fonte principal de apoio mental aos alunos. Estudantes com famílias que passam por dificuldades de relacionamento e/ou financeiros veem a escola como um espaço de refúgio, e agora, com a impossibilidade de frequentar esse local, enfrentam dificuldades ainda maiores. Os autores afirmam que “A pandemia do Covid-19 pode piorar problemas de saúde mental e levar a mais crises entre crianças e adolescentes por conta da combinação única de crise de saúde pública, isolamento social, e recessão econômica.”


Pesquisas mostram ainda que saúde mental e desempenho acadêmico estão intimamente conectados. Cara Wellman, professora de neurociência e psicologia na Universidade de Indiana, descobriu que o estresse crônico faz com que as conexões entre as células do cérebro encolham, o que leva a deficiências cognitivas. Por essa razão, queremos sugerir alternativas para trabalhar o tema com seus alunos na volta às aulas presenciais, deixando também espaço para que você as adapte à sua necessidade e, se for o caso, comece desde já a implementá-las.


1. Foque primeiro no relacionamento: muitos de seus alunos podem ter ansiedade e medo com relação à pandemia, tanto por questões pessoais quanto de seu contexto. Procure estabelecer um ambiente seguro e agradável para o aprendizado por meio do acolhimento diário com seus alunos e outras estratégias focadas na (re)construção ou fortalecimento de relacionamento. Para ler mais sobre acolhimento, leia este post.


2. Faça testes de diagnóstico: como falamos anteriormente, diferentes estudantes podem ter tido diferentes impactos com a pandemia, isso até em uma mesma sala de aula! Invista em testes rápidos e interativos, como questionários e jogos, para checar os níveis de aprendizagem de cada um, assim você terá mais suporte na hora de estabelecer seu ponto de partida, ver quais conteúdos precisam de revisão, entre outros.


3. Diferencie as instruções: por meio dos testes sugeridos anteriormente,você pode identificar desigualdades mais significativas entre alguns alunos. Para esses, é importante que você procure entender qual a situação e como pode auxiliá-lo da melhor maneira. Para profissionais que trabalham com Educação Especial, este pode ser um exercício de adaptação, enquanto para os que não estão habituados com essa realidade, um novo desafio. Procure dar opções para o aluno com mais dificuldade, relacionando as atividades e conteúdos a temas do seu interesse. Mais que isso, dê a eles oportunidades para demonstrar o aprendizado que obtiveram de diferentes modos, assim a chance de sentirem-se motivados e logo alcançarem os demais é maior.


Você acha que enfrentará dificuldades como essas na volta às aulas presenciais? Ou quem sabe você já trabalha essas questões por meio de diferentes estratégias? Conta pra gente nos comentários!

Referências:


KUHFELD, Megan; SOLAND, James; TARASAWA, Beth; JOHNSON, Angela; RUZEK, Erik e LIU, Jing. "Projecting the potential impacts of COVID-19 school closures on academic achievement". EdWorkingPaper No. 20-226. Brown University, Maio de 2020. Disponível em https://www.edworkingpapers.com/sites/default/files/ai20-226-v2.pdf


TERADA, Youki. "Covid-19’s Impact on Students’ Academic and Mental Well-Being". Edutopia, 23 de Junho de 2020. Disponível em https://www.edutopia.org/article/covid-19s-impact-students-academic-and-mental-well-being

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