• João Paulo Campos

Ensino remoto: esforço para continuar aprendendo

O que as redes de ensino consideraram para se adaptar ao ensino remoto?


Desde que o cenário de suspensão das aulas presenciais ficou mais estável e o quadro da pandemia se agravou em meados de maio/junho, o desafio de emergencialmente se reorganizar toda uma estrutura para o ensino remoto tomou escolas e secretarias de educação de todo o país.


O processo educativo no Brasil e em boa parte do mundo em todos os níveis e etapas é uma das estruturas mais conservadas durante os últimos 200 anos. Não fosse a pandemia, o cenário de um professor, uma sala de aula com estudantes sentados interagindo ou não ainda tinha potencial ao menos para mais 100 anos de manutenção quase que intacta, especialmente no ensino básico.


Sempre soubemos que a escola é uma construção coletiva que vem sendo construída ao longo dos anos através das interações entre professores e alunos de maneira presencial, e essa essência deve se manter. Ou seja, a importância das relações e do contato físico devem voltar após o período de distanciamento social e dos diferentes modelos de ensino remoto e híbridos adotados no período de pandemia. Entretanto, a escola nunca mais vai ser a mesma. Isso se dá exatamente pelo período de pandemia e os esforços que escolas e secretarias de educação têm empreendido nesse momento para manter a conexão entre estudantes e escola, o que inclui esforços para o autoestudo, os ensinos híbridos e o ensino remoto.

O primeiro ponto desse esforço é entender que o modelo anterior era cheio de falhas e tinha problemas na hora de garantir o aprendizado dos estudantes, o acesso a oportunidades e acaba por influenciar negativamente a permanência dos estudantes, especialmente nos anos finais e no ensino médio. As diferentes soluções não seriam nenhuma delas substitutas definitivas da escola ou perfeitas, mas sim adaptações ao período de pandemia. Ou seja, não seria educação à distância com suas metodologias e estruturas na educação básica, mas sim ensino remoto, adaptado às condições atuais, ou ensino híbrido.


Ao ter isso em mente, praticamente todas as redes pensaram em como chegar aos estudantes e que tipo de conteúdos levar. Um primeiro passo para o ensino remoto foi a constatação que os currículos, tais como eles são apresentados até as habilidades da BNCC, não poderiam ser executados. Assim, as redes estudaram adaptações, reduções do currículo e das habilidades. Nesse sentido, os mapas de foco criados pelo Instituto Reúna, definindo as habilidades troncais que não poderiam deixar de serem ensinadas ou trabalhadas nesse momento, foram essenciais para muitas redes. Entender as habilidades que poderiam ser deixadas para outro momento e focar no conteúdo essencial que pode ser trabalhado de maneira remota é decisivo para a garantia de aprendizagem.


Selecionados os conteúdos, o próximo passo é selecionar e definir as estratégias que estão envolvendo um nível de ensino híbrido e remoto. Nesse ponto, as imensas desigualdades no acesso a tecnologias da informação e da comunicação se fazem presentes. Assim, estratégias como doar internet, ou adotar um material 100% físico que cheguem a todos estão em ação em todo o país ganham espaço. Os aplicativos, a compra de materiais e as vídeo-aulas prontas de redes de ensino também são soluções viáveis. Outras redes têm investido na capacitação de professores e no desenvolvimento de vídeo aulas, o que tem exigido dos professores diversas habilidades pouco presentes e comuns para eles.


Todas essas iniciativas são válidas, recuperar o que se perdeu e manter os estudantes envolvidos em um número de atividades mínimas sem dúvidas é essencial. Um ponto que também é consenso é que depois de todo esse esforço, capacitações e adaptações do currículo e da BNCC e esse investimento em tecnologia e de toda a interação dos estudantes com meios híbridos, o nosso modelo de 200 horas de educação em sala de aula começa a ser ressignificado. Talvez esse seja um legado positivo dessa pandemia!


O tempo vai nos dizer e nós vamos continuar por aqui trazendo essas reflexões para vocês. Adoraríamos contar com as opiniões de vocês nos comentários!

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