Ensino Fundamental - Anos iniciais

Destrinchando os pontos principais e oferecendo dicas para o ensino


Continuando o desenvolvimento da série, trazemos hoje um detalhamento sobre a primeira parte do Ensino Fundamental. Os anos iniciais, como são chamados o 1º ao 5º ano do Fundamental, normalmente compreendem crianças de 6 a 10 anos que saíram da Educação Infantil e agora passam por muitas mudanças em seu desenvolvimento.


As transformações vividas pelas crianças se dão tanto em termos físicos quanto cognitivos, e a comunidade escolar não pode ser alheia a essas mudanças. São muitos os estímulos ao desenvolvimento nesse período, de modo que é também papel da escola e dos educadores influenciá-lo positivamente por meio de incentivos ao amadurecimento do raciocínio lógico, da habilidade de leitura e interpretação, e da construção de valores éticos.


Sendo assim, a BNCC traz uma detalhada explicação sobre cada uma das áreas do conhecimento e das competências a serem trabalhadas. Vamos a elas!


Os campos de experiência da Educação Infantil dão lugar a 3 novos componentes no Fundamental:


  • Áreas do conhecimento: englobam os componentes curriculares.

  • Componentes curriculares: eram antigamente chamados de disciplinas ou matérias.

  • Unidades temáticas: conjuntos de conteúdos que são divididos em habilidades a serem trabalhadas em cada componente no Ensino Fundamental. Frequentemente, as unidades são progressivas, de modo que são novamente trabalhadas em outras etapas de ensino, sempre procurando o seu aprofundamento.


Além disso, são mantidas as competências gerais, que permeiam todas as unidades temáticas e habilidades Por outro lado, surgem as competências específicas de cada área do conhecimento. As 5 áreas são as mesmas para os anos iniciais e finais e devem ser sempre entendidas e trabalhadas de modo contínuo e interdisciplinar, não totalmente segmentadas. Nos anos iniciais, o foco de cada área é o seguinte:


  • Linguagens: alfabetização plena


Nessa área, são incluídos os estudos de Língua Portuguesa, Arte e Educação Física. Você pode estranhar que Arte e Educação Física sejam consideradas como linguagens, mas a BNCC traz um ponto muito relevante acerca da diversificação das linguagens, de modo que as diversas formas de expressão artística e de exercícios físicos são sim componentes de extrema importância nesse processo.


Até o 4º ano, devem ser consolidadas as aprendizagens anteriores, tanto as provenientes da Educação Infantil quanto aquelas vistas já nos anos do Fundamental. Mais do que a consolidação, pretende-se também ampliar as práticas a elas relacionadas e garantir maior autonomia intelectual relacionada à leitura de cada aluno.


Diferente das outras áreas do conhecimento, a de Linguagens inclui eixos de aprendizagem (leitura, produção de texto, oralidade e análise linguística e semiótica). Cada um desses eixos é desenvolvido de modo a auxiliar as crianças no desenvolvimento pleno de cada uma dessas competências, com um foco muito mais amplo que a mera alfabetização. Mais do que a leitura como reprodução fonética, é interessante observar que a BNCC traz uma preocupação especial com a compreensão e a construção de senso crítico em cada criança. A formação de indivíduos que compreendam e saibam expressar opiniões, tenham senso crítico e agem com respeito com relação aos outros é uma preocupação constante no documento. Falamos um pouco sobre essa diferença nesse outro artigo!


Além disso, a área de linguagens conta também com campos de ação, isto é, os segmentos a serem trabalhados durante o desenvolvimento das competências. São eles: vida cotidiana, artístico-literário, práticas de estudo e pesquisa e vida pública.


Especificamente sobre a alfabetização, percebe-se que as habilidades trabalhadas são realmente focadas nesse processo, o qual deve ser concluído até o 2º ano (não mais até o 3º, como previsto anteriormente). Do 2º ao 5º ano, o documento estabelece o refinamento dessa alfabetização, com atenção à ortografia e gramática, além do aprofundamento das habilidades anteriormente trabalhadas.


Se você procura dicas sobre como desenvolver as habilidades de linguagens com seus alunos, essa página pode ajudar. Vários projetos de diversos professores brasileiros foram estruturados e disponibilizados no próprio site da Base. Com certeza, muitas dessas ideias serão inspiradoras para você!


Falando sobre os estudos de Arte em Linguagens, é interessante pontuar que estão divididos em Artes visuais, Dança, Música e Teatro. O foco pode ser entendido como as experiências criativas de socialização e autoconhecimento proporcionadas pelas expressões artísticas. Para ter novas ideias de atividades que trabalham as diferentes expressões artísticas, confira este site da Secretaria de Educação do Paraná!


Já na Educação Física, três elementos fundamentais devem ser abordados: o movimento corporal, a organização interna e o cuidado com o corpo e a saúde. Para isso, temos unidades temáticas exploradas, a saber as brincadeiras e jogos, os esportes, as ginásticas, danças, lutas e as práticas corporais de aventura. Mais do que a prática do exercício, que por si só já traz inúmeros benefícios para a saúde, os alunos são ensinados sobre regras, disciplina, cooperação e são incentivados a uma troca saudável uns com os outros. Uma boa fonte de inspiração de atividades de educação física é o site da Secretaria de Educação do Paraná, já citado anteriormente, e este artigo da Nova Escola, onde você pode encontrar ótimas ideias!


  • Matemática: resolver problemas, criatividade e poder de interpretação


A BNCC afirma acertadamente que “O conhecimento matemático é necessário para todos os alunos da Educação Básica, seja por sua grande aplicação na sociedade contemporânea, seja pelas suas potencialidades na formação de cidadãos críticos, cientes de suas responsabilidades sociais.” (pág. 265)


Para que esse conhecimento seja proporcionado, são organizadas as seguintes unidades temáticas: Números, álgebra, geometria, grandezas e medidas, probabilidade e estatística. Em todas elas, diferencia-se o que deve ser trabalhado nos anos iniciais e nos anos finais, sendo que, para todos os casos, deve-se considerar a ideia de progressão e interdisciplinaridade. Enquanto nos anos iniciais a introdução aos temas e o conhecimento básico dos números, operações e situações de aplicação são a prioridade, nos anos finais, o cenário já é diferente. Falaremos mais sobre isso na semana que vem!


Para matemática, não podemos deixar de citar o ótimo trabalho que nossos curadores têm feito na revisão e correção de materiais do nosso Acervo de Pílulas de Conteúdos! Você já sabe que todas as disciplinas estão disponíveis por lá, mas que tal olhar com carinho a área de matemática e se inspirar para fazer atividades ainda mais criativas?


  • Ciências da Natureza: desenvolvimento da capacidade de atuação no e sobre o mundo


A abrangente área de Ciências da Natureza tem um impacto primordial na formação dos indivíduos. É por meio dela que são discutidos diversos temas socioambientais e fisiológicos, debate responsável pelo desenvolvimento de senso crítico e de compromisso cidadão.


São organizadas três unidades temáticas dessa área: matéria e energia, vida e evolução, e Terra e universo. Do mesmo modo que na área de matemática, o trabalho de cada uma delas deve ser progressivo e interdisciplinar.


Especificamente para os anos iniciais, o documento destaca que “os alunos possuem vivências, saberes, interesses e curiosidades sobre o mundo natural e tecnológico que devem ser valorizados e mobilizados. Esse deve ser o ponto de partida de atividades que assegurem a eles construir conhecimentos sistematizados de Ciências, oferecendo-lhes elementos para que compreendam desde fenômenos de seu ambiente imediato até temáticas mais amplas. (...) em especial nos dois primeiros anos da escolaridade básica, em que se investe prioritariamente no processo de alfabetização das crianças, as habilidades de Ciências buscam propiciar um contexto adequado para a ampliação dos contextos de letramento.” (pág. 331).


Essa talvez seja a frase que mais claramente demonstra a fluidez da base no que diz respeito ao trabalho sempre conjunto das áreas de conhecimento. No trecho acima um ponto muito importante é destacado: o de que, nos anos iniciais, é preciso que o processo de alfabetização seja conduzido de modo interdisciplinar com outras disciplinas. Lembra que falamos lá em cima sobre a necessidade de mais que uma leitura fonética? Que tal usar ciências para desenvolver a competência cognitiva de seus alunos?


Para ter ideias de como trabalhar os campos das ciências da natureza com seus alunos dos anos iniciais, confira essa página da Nova Escola!


  • Ciências Humanas: desenvolvimento autônomo dos alunos, além de torná-los aptos a uma intervenção mais responsável no mundo em que vivem


Englobando os componentes curriculares de História e Geografia, essa área do conhecimento tem papel fundamental na formação dos alunos como indivíduos bem informados, tolerantes e respeitosos. Além dos múltiplos conteúdos e temas tratados, visto os muitos anos de desenvolvimento do componente, preocupa-se com o aprofundamento do entendimento do “Eu”, do “Outro” e do “Nós” como parte de uma sociedade. Lembram que esse é um dos campos de experiência da Educação Infantil? Pois é, tudo está sempre muito interligado na BNCC!


Os principais conceitos em Geografia são: espaço e tempo, território, lugar, região, natureza e paisagem, enquanto são 5 suas unidades temáticas (o sujeito e seu lugar no mundo, conexões e escalas, mundo do trabalho, formas de representação e pensamento espacial, e natureza, ambientes e qualidade de vida). Todos esses conceitos e temáticas contribuem para um mesmo objetivo: o desenvolvimento cidadão dos alunos, sendo que a ênfase nos anos iniciais para trabalhá-los são os lugares de vivência. Para dicas de atividades e ideias de abordagem, confira o site Escola Kids!


Já em História, os processos de identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise de um objeto estimulam o pensamento e são priorizados na BNCC. O documento afirma ainda que, nesse sentido, “O passado que deve impulsionar a dinâmica do ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental é aquele que dialoga com o tempo atual.” (pág. 397). Esse movimento é feito, tal como em Geografia, de modo a desenvolver senso crítico e de cidadania em cada aluno.


Um ponto de destaque em História se dá na inclusão de temas obrigatórios pela legislação: a história da África e das culturas afro-brasileira e indígena. Mais do que o mero ensino, tais temas devem ser trabalhados de modo a auxiliar os alunos no entendimento da formação do Brasil, tendo-os como aliados na defesa de traços culturais que persistem, entendendo o lugar de fala de todos os povos, sem preconceitos.


Especificamente para os anos iniciais, o aprendizado de História se dá com base justamente na compreensão das diferenças entre os indivíduos e, consequentemente, seus pontos de vista e sua maneira de aprender e produzir. Nesse quesito, mais uma vez a linguagem e a própria alfabetização são importantes conceitos. Para dicas de temáticas muito criativas, confira essa página do Instituto Claro!


  • Ensino Religioso


O Ensino Religioso completa as áreas do conhecimento trazidas pela BNCC. O artigo 33 da Lei de Diretrizes Básicas da Educação estabelece que seu ensino é opcional, mas, de todo modo, é interessante observar como a Base propõe que os professores trabalhem seus assuntos.


Sua função educacional é assegurar o respeito à diversidade cultural religiosa. Para tanto, são apresentadas as diferentes religiões do mundo, bem como os direitos que garantem a liberdade de crença de cada indivíduo. Além de permitir que os alunos compreendam o diálogo existente entre religião e as situações seculares cotidianas, é também proporcionada ajuda na identificação de seus projetos e sentidos pessoais.


Por fim, torna-se interessante reproduzir o seguinte trecho da Base: “Cabe ao Ensino Religioso tratar os conhecimentos religiosos a partir de pressupostos éticos e científicos, sem privilégio de nenhuma crença ou convicção. Isso implica abordar esses conhecimentos com base nas diversas culturas e tradições religiosas, sem desconsiderar a existência de filosofias seculares de vida.” (pág. 436)


Falamos de muita coisa hoje, né?! Mas temos um último ponto para destacar: a transição para os Anos Finais do Fundamental. No término do 5º ano para a entrada no 6º, é importante preparar o aluno para as mudanças pelas quais ele irá passar, como a mudança de um professor generalista para vários específicos. Além disso, vale o reforço acerca da fluidez do processo educacional, que não é marcado por rupturas, mas sim, por continuidades.


Agora, mãos à obra! Confira os materiais disponibilizados aqui e comece hoje mesmo a adaptar os materiais de suas aulas para implementação da BNCC!

Pensando nos desafios da implementação da BNCC, seja no ensino remoto, híbrido ou presencial, disponibilizamos de modo gratuito um acervo de pílulas de conteúdo prontas para serem usadas em sua prática diária. Elas são de fácil acesso, podendo ser enviadas pelo Whatsapp sem o consumo de dados para baixar no celular :)


Veja alguns exemplos de temas desenvolvidos para os anos iniciais do fundamental:


Não fique de fora e aproveite!

Referências:


SAE Digital. “BNCC Ensino Fundamental – Anos Iniciais: Confira os destaques da Base nesse segmento” Disponível em:

https://sae.digital/bncc-ensino-fundamental-anos-iniciais/?


Nova Escola. “O que a BNCC propõe para a alfabetização?”. Disponível em:

https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/40/o-que-a-bncc-propoe-para-a-alfabetizacao?

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