Ensino Fundamental - Anos finais

Destrinchando os pontos principais e oferecendo dicas para o ensino


Hoje partimos para a segunda etapa do Ensino Fundamental. Os chamados anos finais compreendem do 6º ao 9º ano e, portanto, alunos da faixa etária de 10 a 15 anos. Se você perdeu o artigo sobre os anos iniciais, dê uma conferida antes de seguir! A estrutura para as duas etapas é a mesma e faz muito sentido estudá-las em conjunto, já que a própria BNCC afirma que esse deve ser um processo contínuo.


Quando falamos que a estrutura é a mesma, nos referimos ao fato de que as áreas do conhecimento são as mesmas, bem como várias das unidades temáticas. No entanto, se nos anos iniciais tivemos um aprofundamento dos aprendizados da Educação Infantil e uma sistematização dos novos conteúdos, nos anos finais passa-se à consolidação das habilidades. Tais habilidades, por sua vez, são trabalhadas por meio de objetos de conhecimento progressivamente mais complexos.


Já falamos também que nos anos iniciais as crianças passam por diversas mudanças. Nos anos finais, as transformações continuam ocorrendo, especialmente relacionadas ao início da puberdade. Novas necessidades e curiosidades surgem, e a escola é figura primordial no que diz respeito ao oferecimento de apoio aos adolescentes. Além disso, a mudança de um professor generalista para um específico para cada disciplina é significativa. Os educadores devem, portanto, se atentar para que essa transição seja sentida positivamente, não brusca ou forçadamente.


É importante atentar também para o fato de que são mantidas as competências gerais, que permeiam todas as áreas do conhecimento, unidades temáticas e habilidades. Por outro lado, as principais mudanças com relação aos anos finais são originadas pelo desenvolvimento das chamadas habilidades do século XXI e do projeto de vida. Temos um artigo dedicado a isso que vale a pena ser lido!


Falando das áreas do conhecimento, já comentamos que elas se mantêm. Entretanto, gostaríamos de reforçar que estas são muito importantes no processo de ensino e aprendizagem, que deve ser estruturado e interdisciplinar, de modo a atender o adolescente em suas principais necessidades e demandas. Vamos agora ao detalhamento das principais características que as constituem!


  • Linguagens: novas descobertas, experiências e o aumento na quantidade de informações recebidas por meio da linguagem


Assim como nos anos iniciais, são incluídos os estudos de Língua Portuguesa, Arte e Educação Física. No entanto, uma novidade importante surge: o ensino da Língua Inglesa. Do mesmo modo que há a valorização da diversidade de expressões de linguagem, o estudo de um idioma novo e tão globalizado quanto o inglês busca trazer maior autonomia e independência ao adolescente.


Os eixos, competências específicas e campos de ação são mantidos, com a diferença da inclusão do campo de ação de atuação na vida pública e a exclusão do campo da vida cotidiana.


Nos anos finais, o estudo de Linguagens fala mais do que apenas de proficiência na leitura. “Trata-se de promover uma formação que faça frente a fenômenos como o da pós-verdade, o efeito bolha e proliferação de discursos de ódio, que possa promover uma sensibilidade para com os fatos que afetam drasticamente a vida de pessoas e prever um trato ético com o debate de ideias.” (pág. 137). Essa já era uma preocupação nos anos iniciais e, tendo os alunos já concluído o processo de alfabetização e com a aproximação do término do ciclo básico da educação, a formação cidadã crítica é ainda mais enfatizada. Para dicas de materiais, atividades e projetos para trabalhar linguagens nos anos finais, confira o site da Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina e o material Aprender Mais, da Secretaria Estadual de Pernambuco.


Sobre os estudos de Arte nos anos finais, a divisão em Artes visuais, Dança, Música e Teatro se mantém. Do mesmo modo que com o estudo da Língua Portuguesa, pretende-se nesta etapa proporcionar uma experiência ampla e abrangente que permita o autoconhecimento do aluno, ao mesmo tempo que ele é incentivado a conhecer e respeitar o outro. Para dicas, confira esse link do CEPAE (Centro de Ensino e Pesquisa Aplicado à Educação). Uma dica é pressionar ctrl+F e escrever “Arte” para encontrar os links que direcionam para as atividades dessa disciplina.


Na Educação Física, os elementos de movimento corporal, organização interna e cuidado com o corpo e a saúde também são mantidos, bem como as unidades temáticas (brincadeiras e jogos, esportes, ginásticas, danças, lutas e práticas corporais de aventura). Uma novidade interessante desta etapa trata-se da inclusão de atividades e jogos eletrônicos. Muito populares para essa faixa-etária, é importante abraçar a ideia e mostrar novas possibilidades e aprendizados possíveis por meio de seu uso. Confira aqui algumas ideias de atividades para trabalhar a Educação Física nos anos finais!


O ensino da Língua Inglesa, por sua vez, tem caráter formativo, dada a globalização do idioma. O inglês passou a ter função social e política, o que faz sua valorização nos currículos ainda mais significativa.


Para além da socialização pessoal, a língua inglesa toma ainda importante posição quando se trata do letramento digital, possibilitando maior interação virtual por parte dos usuários. Para ensino e aprendizagem do inglês, muitos aplicativos estão disponíveis. Um muito conhecido e simples é o Duolingo, que pode te ajudar a gerar interação dos alunos com o idioma. Além disso, confira esse material produzido por professoras com algumas estratégias para usar em sala de aula!


  • Matemática: perspectiva do letramento


As unidades temáticas se mantêm: números, álgebra, geometria, grandezas e medidas, probabilidade e estatística. E, assim como na fase anterior, “a aprendizagem em Matemática no Ensino Fundamental – Anos Finais também está intrinsecamente relacionada à apreensão de significados dos objetos matemáticos. Esses significados resultam das conexões que os alunos estabelecem entre os objetos e seu cotidiano, entre eles e os diferentes temas matemáticos e, por fim, entre eles e os demais componentes curriculares. Nessa fase, precisa ser destacada a importância da comunicação em linguagem matemática com o uso da linguagem simbólica, da representação e da argumentação.” (pág. 298)


Nesse sentido, há o ensino de algoritmos, programação, fluxogramas, álgebra e pensamento computacional. Uma observação interessante é que a BNCC resgata o sistema binário e há um foco na interação com a tecnologia, enquanto a geometria e a trigonometria, algumas vezes antecipadas nas escolas, são trazidas apenas no Ensino Médio.


Para dicas de como trabalhar Matemática nos anos finais de forma criativa, confira nosso Acervo de Pílulas de conteúdo! Assim como para os demais componentes curriculares, lá disponibilizamos gratuitamente inúmeros cartões prontos para uso com os alunos.


  • Ciências da Natureza: indo além dos conceitos


Já exploramos no artigo sobre os anos iniciais acerca da grande curiosidade dos alunos com relação à área de Ciências da Natureza. Mais do que isso, nessa fase, os alunos demonstram expressiva autonomia e preocupação com a vida social, dada sua formação identitária em desenvolvimento. Nos anos finais, portanto, a capacidade cognitiva e de abstração estão mais desenvolvidas e, assim, permitem um conhecimento mais profundo de conceitos e ideias que permeiam o campo, como a relação entre indivíduos, o ambiente, as tecnologias, valores, responsabilidade e cidadania.


É importante lembrar ainda que, nessa etapa, os componentes de Química, Física e Biologia são mesclados. Do mesmo modo, vale o reforço de que todas as áreas devem ser trabalhadas de modo interdisciplinar, não fragmentado. Confira aqui dicas de jogos e outras atividades super interessantes para trabalhar essa área!


  • Ciências Humanas: temporalidade, espacialidade e diversidade em outro nível


Do mesmo modo que com as Ciências da Natureza, o aluno dos anos finais tem a capacidade (e curiosidade!) de entender conceitos e momentos importantes da História e da Geografia com maior profundidade. Um ponto de atenção é que, aqui, deve-se manter sempre a base no ensino e propagação dos direitos humanos.


Na Geografia, a BNCC afirma que “Desenvolvendo a análise em diferentes escalas, espera-se que os estudantes demonstrem capacidade não apenas de visualização, mas que relacionem e entendam espacialmente os fatos e fenômenos, os objetos técnicos e o ordenamento do território usado.” (pág. 381). A praticidade trazida pelo documento auxilia, inclusive, no despertamento de interesse e na aprendizagem significativa por parte do aluno.


As expectativas desse componente curricular nos anos finais são:


- Que possa contribuir para o delineamento do projeto de vida dos alunos, compreendendo a produção social e a transformação do espaço

- Que entendam o papel do Estado-nação em um período histórico cuja inovação tecnológica é responsável por grandes transformações socioespaciais, incentivando-os a pensar em alternativas de uso do território

- Que sejam utilizadas diferentes representações cartográficas e linguagens para que os estudantes possam entender o território, as territorialidades e o ordenamento territorial em diferentes escalas de análise.


Em História, o aprofundamento dos conhecimentos continua, dado que “a dimensão espacial e temporal vincula-se à mobilidade das populações e suas diferentes formas de inserção ou marginalização nas sociedades estudadas. Propõe-se, assim, o desenvolvimento de habilidades com um maior número de variáveis, tais como contextualização, comparação, interpretação e proposição de soluções.” (pág. 417). Nesse sentido, um ponto crucial é acerca da produção, interpretação e resolução de perguntas e questionamentos, visto serem fundamentais para a compreensão deste componente curricular.


Para isso, 3 procedimentos básicos são destacados:


1. Identificação dos eventos considerados importantes na história do Ocidente, ordenando-os de forma cronológica e localizando-os no espaço geográfico.

2. Condições necessárias para que os alunos selecionem, compreendam e reflitam sobre os significados da produção, circulação e utilização de documentos, elaborando críticas sobre formas já consolidadas de registro e de memória.

3. Reconhecimento e interpretação de diferentes versões de um mesmo fenômeno, reconhecendo as hipóteses e avaliando os argumentos apresentados.


Para ideias criativas de projetos e atividades de Ciências Humanas, veja esta página!


  • Ensino Religioso


Para o Ensino Religioso, valem-se as mesmas diretrizes dos anos iniciais, bem como as das demais áreas do conhecimento que dizem respeito ao aprofundamento dos aprendizados. Com isso, lembramos que o foco é no ensino acerca das diversas expressões religiosas e culturais, a fim de promover respeito e autoconhecimento aos alunos.


Tal como nas demais áreas, também pressupõe-se um aprendizado aprofundado das unidades temáticas abordadas (identidades e alteridades, manifestações religiosas e crenças religiosas e filosofias de vida.) Para ver sugestões de todas as áreas do conhecimento para os anos finais, confira esse link do site da Base Nacional Comum Curricular!


Agora estamos prontos para a última etapa do ciclo básico da educação. Lá, falaremos mais sobre o projeto de vida e protagonismo dos alunos, assuntos já mencionados aqui. Vamos juntos?

 

Você já conhece nosso acervo gratuito de pílulas de conteúdo?


Pensando nos desafios da implementação da BNCC, seja no ensino remoto, híbrido ou presencial, disponibilizamos materiais prontos para serem utilizados em sua prática diária :)


Veja alguns exemplos de temas desenvolvidos para os anos finais do fundamental:


Não fique de fora e aproveite!

 

Referências:


Bernoulli. “BNCC do Ensino Fundamental - Anos Finais”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=C2db4wIpOTc


SAE Digital. “BNCC: conheça as principais mudanças no Ensino Fundamental – Anos finais”. Disponível em: https://sae.digital/bncc-mudancas-no-ensino-fundamental-anos-finais/#:~:text=O%20Ensino%20Fundamental%20atende%20desde,com%2014%20anos%20de%20idade.&text=Para%20abranger%20as%20compet%C3%AAncias%20e,(6%C2%BA%20ao%209%C2%BA%20Ano)


Sistema Maxi de Ensino. “BNCC para o Ensino Fundamental: confira os principais aspectos”. Disponível em:

https://www.sistemamaxi.com.br/bncc-para-o-ensino-fundamental-confira-os-principais-aspectos/

189 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo