Engajamento virtual de alunos: realidades e desafios

Princípios para um ensino remoto mais saudável e eficaz


Olá, professor(a)! A tecnologia é cada vez mais presente em nosso cotidiano não é? A aplicação de novas tecnologias na educação se faz presente desde o século XVIII, com a educação a distância (EAD) que iniciou com o envio de livros através do correios, chegando hoje em cursos totalmente online. Ouvimos e pensamos, muitas vezes, que a tecnologia irá democratizar o ensino e aprendizado, contudo podemos notar alguns pontos controversos sobre essa afirmação. Para exemplificar, vamos analisar o caso do Brasil.


Uma pesquisa do IBGE de 2018, mostra que a quantidade de domicílios com microcomputador ou tablet em casa é de 46%, em área urbana, e de 14,3%, na área rural. Enquanto que o acesso à internet é de 83,8%, em área urbana, e de 49,2% na área rural.


Com base em tais dados, qual parcela da população mais se beneficia pelo EAD? Uma grande gama da população não tem acesso a esse tipo de material. Não estamos questionando o EAD em si, mas sobre quem se beneficia com isso e o porque muitas empresas ou redes escolares estão indo para tal caminho falando que ele traz a igualdade no ensino.


Outra pesquisa, essa realizada na Austrália, traz a questão do uso consciente da internet para as crianças. Tudo que pesquisamos, lemos, assistimos é guardado e utilizado muitas vezes para encaminhar anúncios mais “tentadores” para nós. E hoje em dia muitas empresas também olham para o nosso histórico online quando estamos tentando uma oportunidade de emprego. Ou seja, tudo que realizamos online pode influenciar nas nossas oportunidades do futuro.


Nós, professores, não tivemos um treinamento durante a graduação ou após ela para saber instruir nossos alunos na utilização consciente da internet. E atualmente somos muito cobrados para utilizar e capacitar nossos alunos para a convivência em uma sociedade cada vez mais digital. Eles utilizam a tecnologia de forma recreativa, jogando, utilizando redes sociais, contudo, quando é necessário o uso da tecnologia para o envio de uma atividade para o professor, muitos deles passam dificuldades pois não foram ensinados a fazer isso.


Na mesma pesquisa do IBGE foi levantado que muitos professores têm receio da utilização de tecnologias em aula pela necessidade de estar sempre aprendendo ferramentas novas, pois as tecnologias utilizadas para o ensino e as utilizadas pelos alunos estão sempre se alterando e nos forçando a estar constantemente pesquisando e interagindo com eles para conseguirmos utilizar isso como uma oportunidade e não como um empecilho.


Outro problema está no medo dos alunos darem uso não pedagógico para as ferramentas utilizadas por nós. Afinal, quem já levou os alunos para a sala de tecnologia pode ter passado por uma experiência onde, enquanto olhava os alunos, eles estavam pesquisando ou realizando a atividade, mas quando virava as costas eles abriam sites de jogos, Youtube, etc. Assim, a utilização pedagógica dessas ferramentas digitais é algo que nos traz receios.


Mas não são apenas os professores que se sentem incomodados com o uso de tecnologias. Alguns pais demonstraram preocupação com a diminuição da separação casa-escola, pois os alunos acabam muito mais conectados e acontecimentos que se concentravam na escola (como o bullying) passam a chegar na casa pela internet. Para combater esses problemas advindos da tecnologia, sugerimos uma abordagem baseada em três princípios sendo eles: respeito, ação e justiça.


O respeito diz sentido, a observar quem é esse aluno. Quais experiências ele já passou? Quais seus pontos fortes e fracos? Outro ponto é que devemos entender que todas as crianças já gerenciam suas redes online e offline e que a visão deles sobre o mundo será diferente da nossa, assim devemos ouvir primeiro o que essas crianças estão falando para adaptar o nosso falar para ter maior impacto com elas.


A ação é formada por duas partes, as que geram ou não bem-estar. Ações que geram bem-estar são aquelas que auxiliam o aluno a criar um capital tecnológico que o faça sentir bem, o ajude a ter maior consciência e que sejam produtivas para ele. E as que não geram bem-estar são aquelas onde questionamos ou observamos o que ele faz/pesquisa para podermos auxiliá-lo a mudarem de comportamento, quando este não é benéfico para o aluno.


A justiça é tratar o aluno com equidade de forma equilibrada. Isso inclui balancear os momentos didáticos e os de lazer com a tecnologia, não deixando, por exemplo, o aluno apenas jogar ou estudar no computador. O equilíbrio entre as atividades é fundamental.


Aplicar esses três princípios no cotidiano do aluno e no nosso planejamento enquanto professores é uma ótima maneira para o letramento digital ocorrer de uma forma mais agradável, tanto para os professores quanto para os alunos.


E você, professor, já havia pensando em como lidar com as desigualdades trazidas pela tecnologia em sua sala de aula, ou na sua escola? E como você vem trabalhando as ferramentas digitais com eles? A tendência é utilizá-las cada vez mais em nossas salas de aula.


Comenta aqui embaixo o que vem desenvolvendo para continuarmos essa conversa! Boa Prática!



Referências:


BUCHANAN, R. ‘The whole world’s watching really’: Parental and educator perspectives on managing children’s digital lives. Global Studies of Childhood 2019, Vol. 9(2), 167-180.

FAINHOLC, B. Virtual communication processes of open and distance education: Some contributions from the cultural studies field. E-Learning and Digital Media 2015, Vol. 12(1), 3-16.

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2018. IBGE, 2020.


EU ENSINO

Conectando experiências, desenvolvendo líderes.

  • Facebook Basic Black
  • Black Instagram Icon
  • YouTube
  • LinkedIn
  • Twitter