Como promover a inteligência emocional na escola?

Preparar os alunos para as habilidades do século XX também é papel da escola


Considerada uma das habilidades mais importantes para o mundo atual, a inteligência emocional tem ganhado fama nos últimos anos. Graças ao livro do psicólogo e jornalista estadunidense Daniel Goleman, Emotional Intelligence, o assunto se popularizou e passou a ser discutido em diversas áreas, incluindo a educação. A escola é um espaço onde há muita troca de experiências, aprendizados, ideias. Para melhorar essa interação e as relações pessoais dos sujeitos inseridos na comunidade escolar, o desenvolvimento da inteligência emocional faz-se necessário.


Por esse motivo, os gestores escolares devem pensar em como implementá-la, levando em consideração o contexto da escola, a realidade dos alunos e pais e, claro, os professores e funcionários da instituição, gerenciando momentos difíceis, conflitos e pensando em uma educação em rede.


Diante de desafios cada vez maiores da sociedade , gestores e docentes precisam trabalhar os aspectos emocionais com os alunos. Uma forma é fazê-los compreender a importância de lidar com as próprias emoções - principalmente em um período de grandes mudanças, como a adolescência -, levar essa discussão para a família, e mostrar os benefícios mentais e físicos dela, deixando claro que é uma habilidade a ser desenvolvida constantemente.


Segundo Goleman, há cinco pilares para definir a inteligência emocional:

· Conhecer as emoções

· Controlar as emoções

· Ter automotivação

· Ser empático

· Saber se relacionar interpessoalmente

Para aumentar o coeficiente emocional da sua escola, trazemos dez dicas.


1 - Tenha um momento de meditação na sua escola

Caso haja algum professor que já conheça técnicas de meditação, ótimo! Se não for o caso, é possível seguir uma meditação guiada, há muitas disponíveis na internet atualmente para quem é iniciante na prática, como exemplo temos os nossos vídeos de meditação disponíveis no nosso canal do Youtube e nos destaques do nosso Instagram. O interessante é que essa prática se torne uma rotina no ambiente escolar, contando com a participação de todos. Escolha um horário ou dia apropriado para criar o hábito da meditação. Além disso, pode-se abordar o tema com os pais, explicando a fundamentação científica da atividade e como ela é importante para que os estudantes possam olhar para si.


2 - Crie um painel de elogios

Para reforçar a autoestima e a confiança de alunos, professores e funcionários, tenha um espaço para que todos possam colocar palavras de incentivo e elogio aos demais. Pode ser um local para colar notas adesivas ou um tipo de quadro branco ou mesmo cartolina onde seja possível escrever os recados. O incentivo melhora o aprendizado e torna o ambiente mais acolhedor.


3 - Crie o mural das emoções

Outro espaço interessante a ser aplicado nas salas de aula e na sala dos professores é um mural das emoções. Nele, os alunos podem registrar suas emoções ao início e ao final da aula, enquanto os professores podem verificar seus sentimentos na entrada e na saída da escola. Uma variação é ter um quadro com o nome de várias emoções. Os alunos e professores escolhem uma palavra que represente seu sentimento no dia, assim é possível perceber o que lhes faz bem e o que lhes tira do sério. Reconhecer as emoções é o primeiro passo para a consciência emocional.


4 - Apoie uma organização que faça trabalho social

Às vezes, ao olharmos para o problema das outras pessoas, percebemos que os nossos parecem menores. Procure na sua comunidade uma ONG ou instituição que trabalhe em uma causa social, como cuidar de idosos, ajudar crianças carentes, refugiados ou pessoas com deficiência. Mobilize a comunidade escolar para arrecadar recursos, fazer trabalho voluntário ou mesmo visitas. Isso gera um sentimento de empatia pelas outras pessoas e, quando ajudamos o próximo, estamos nos ajudando também.


5 - Convide psicólogos para palestras na escola

Palestras podem parecer desmotivadoras para os alunos, por isso, converse com o profissional convidado sobre atividades lúdicas e engajadoras que despertem o interesse nos estudantes. Sabemos que, infelizmente, as escolas brasileiras não contam com um psicólogo de plantão, mas procure colocar esses momentos no calendário escolar da melhor maneira possível.


6 - Estimule e organize rodas de conversa

Com a mediação do professor e a escolha de um tema, os alunos podem expressar seus sonhos, desejos e frustrações em grupo, criando um ambiente de confiança mútua. É preciso deixar claro que o espaço é uma forma de criar vínculos e de permitir-se sentir vulnerável, sem julgamentos de valor ou preconceitos. Esse momento é importante para praticar a escuta ativa e o respeito pelos demais.


7 - Promova e incentive o treinamento dos professores

Os docentes têm um papel muito relevante no processo de aprendizado socioemocional, pois precisam mediar os debates com sensibilidade, abrindo espaço para a participação e expressão dos estudantes. Nesse sentido, os treinamentos são essenciais, visto que dificilmente eles conseguirão desenvolver a inteligência emocional com os alunos se não desenvolverem em si mesmos. Verifique com a secretaria de educação do seu estado ou município se há oferta de formações nessa temática. Caso não seja possível, busque cursos e ferramentas gratuitas de forma online ou presencial que os docentes possam utilizar, promovendo a discussão do conteúdo e ideias de como abordar o que aprenderam. Uma sugestão são os cursos da Eu Ensino! Confira aqui.


8 - Promova o trabalho em equipe

O trabalho docente pode ser um pouco solitário ao preparar atividades, corrigir tarefas e elaborar o planejamento das aulas. Mas promova, semanalmente ou quinzenalmente, reuniões em que os professores possam pensar em como trabalhar juntos, mesmo que em disciplinas diferentes. Dessa forma, eles podem propor um trabalho, projeto ou ainda um evento para toda a escola. Com os estudantes, abra espaço para a criação de clubes e agremiações, como clube de fotografia e de dança. Nas festas escolares, incentive a participação de toda a comunidade escolar na sugestão de ideias e organização do evento. Afinal, a escola é um espaço democrático e deve contar com a participação de todos.


9 - Use a avaliação como uma forma de “medir” a inteligência emocional

Muitas pessoas pensam em avaliações como algo negativo, mas a ideia aqui é que elas sejam um recurso, tanto para professores quanto para alunos, de compreender como você se vê (autoavaliação) e como os outros lhe veem (avaliação por pares). Na autoavaliação, os educadores podem analisar o nível de motivação, estresse, relação com os alunos, com os pais e demais professores. Na avaliação por pares, pode-se pedir que os docentes se avaliem, dando a você uma ideia de como os outros o veem. Por exemplo, alguém pode dizer “esse professor é capaz de ouvir os alunos com atenção e empatia”. Se as pessoas não se sentirem confortáveis de realizar essa prática, pode-se instituir uma “caixinha de feedback”, onde as avaliações sejam anônimas.


10 - Fortaleça a diversidade

Valorize os seus profissionais e estudantes que tornam a sua escola única, sendo pessoas únicas. Celebre o que há em comum e o que há de diferente entre as pessoas do grupo. Para isso, crie encontros para conhecer a história de vida do outro, gostos, talentos e habilidades desconhecidas pelo grupo. Assim, as pessoas vão sentir orgulho de quem são e todos vão aprender algo novo.


Como vimos, a inteligência emocional é um conceito da Psicologia que trata de lidar com sentimentos e emoções, desenvolvendo, assim, o autoconhecimento. Essa habilidade favorece as relações interpessoais. Quando a escola abre espaço para práticas socioemocionais, a experiência de aprendizagem melhora e o ambiente se torna mais saudável e receptivo.