Como posso promover equidade na minha escola?

Dicas para gestores escolares terem uma postura ativa contra o preconceito


Na atualidade, temos visto crescer o debate em torno da importância da inclusão e do respeito à diversidade. A escola, como vários outros ambientes, também tem sido atingida por essas discussões. Entretanto, muitas vezes, elas ainda ficam restritas à prática dos professores dentro da sala de aula.


Hoje, temos uma proposta diferente! Queremos trazer para você, gestor e gestora, alguns pontos importantes para ajudá-lo a contribuir efetivamente para uma escola mais inclusiva e acolhedora para todos. Com certeza, essa mudança trará bons resultados à sua escola, tanto em termos de desempenho, como de colaboração e união com a comunidade escolar.


1. Conheça os corpos discente e docente


O primeiro passo é olhar para sua comunidade como um todo. Quem a compõe? Quais as necessidades dessas pessoas? Essas necessidades estão sendo priorizadas?


Precisamos responder esses questionamentos antes de tentar implementar mudanças. Para garantir uma escola inclusiva, é necessário que ela esteja conectada com a realidade de sua comunidade. Procure saber de onde as pessoas que compõem sua rede escolar vêm, se elas moram no entorno da escola ou em bairros mais afastados. Tente identificar quais são as ambições e os gostos dos alunos! O que eles gostam de fazer? Quais são as suas inspirações? Para fazer isso, com certeza você terá que sair da sua zona de conforto, interagir com pessoas diferentes de você e estar aberto a escutar suas opiniões. Apesar do desafio, essas investigações te ajudarão a se conectar com a realidade da sua comunidade.


Incentivamos também que se pense sobre as propostas que você, como gestor ou gestora, já implementou ao longo do tempo que está nessa posição. Elas contribuíram para toda a comunidade ou impactaram apenas uma parcela das pessoas que a compõem? Isso pode ser um desafio bem grande, mas pensar em como as ações escolares impactam a comunidade em toda a sua diversidade pode te ajudar a entender quais grupos podem estar sendo negligenciados.


Isso feito, o próximo passo é efetivamente pensar nos objetivos para o futuro. Como você pode garantir que as demandas de todos os grupos serão atendidas? Das experiências que já vivemos, quais podem ser replicadas? Quais precisam de ajustes? Quais podem ser repensadas para incluir a totalidade da comunidade? Alguma outra rede teve experiências que posso adaptar para a minha realidade? Além disso, que tal reunir a equipe para terem um momento de compartilhamento de novas ideias? Não esqueça de registrar cada ponto levantado e pensar no passo a passo da implementação.


2. Tenha alguém responsável e preocupado diretamente com essa causa


Tendo compreendido onde você está e onde quer chegar, uma dica importante é a definição de um responsável por trabalhar e liderar as estratégias que busquem esse propósito.


Na conversa com pessoas da sua comunidade, você provavelmente terá conseguido identificar aquele educador que de fato se preocupa e se engaja com a causa da inclusão. Que tal dar a ele ou ela o apoio que precisa para liderar uma equipe e pensar propostas que alavanquem essa pauta na sua escola?


3. Garanta que o ambiente escolar seja acolhedor para todos


Sabe quando você chega em casa depois de um dia de trabalho e simplesmente fica feliz por estar lá? Estar em um ambiente que te remete à paz e tranquilidade faz toda a diferença para o seu nível de bem-estar. A escola é, para muitos alunos em situação de vulnerabilidade, um local de escape, onde desfrutam de um ambiente mais seguro do que suas próprias casas. Quando atitudes discriminatórias passam a caracterizar a escola, essa relação se perde, deixando o aluno em uma situação de estresse e ansiedade.


Diante disso, incentivamos que se proponha a construção coletiva de um plano de ação de valorização da diversidade. Você pode organizar eventos e abordagens específicas de sala de aula para discutir questões como inclusão, bullying, preconceito e representatividade. Além disso, é importante que a escola seja capaz de identificar situações de preconceito e ter uma orientação clara sobre o que fazer nesses casos. Professores e alunos devem saber como conduzir a situação de forma ética e tolerante, inclusive com orientações sobre a quem recorrer para uma orientação mais específica.


4. Avalie o grau de rigor com relação às entregas de atividades


Você já parou para refletir acerca da carga de estresse e pressão que algumas avaliações podem gerar nos estudantes? Muitas vezes, permitir que alguma porcentagem da nota seja obtida quando as entregas são feitas com atraso (para citar um exemplo!) pode ser um incentivador para que alunos em situação de vulnerabilidade consigam ter oportunidades semelhantes às dos demais. O mesmo princípio pode ser aplicado quando se permite que alunos refaçam atividades, a fim de que tenham uma chance de se dedicar e demonstrar os resultados de seu esforço.


Ter um “zero” no boletim é mais importante em termos de aprendizado do que uma flexibilização da rigorosidade das avaliações? Qual impacto a frustração têm exercido na vida dos alunos da sua escola? Reflita sobre a sua realidade e tome a decisão que mais se encaixa com ela!


5. Tenha conversas individuais e motivadoras com aqueles alunos que estão se esforçando para terem bons resultados


Você já ouviu falar de reforço positivo? Ele consiste em reconhecer atitudes positivas dos alunos. Pode ser que um estudante ainda não tenha conseguido melhorar suas notas, mas você percebe que ele tem se esforçado e tido uma boa postura na interação com os colegas. Nesse caso, você pode reconhecê-lo individualmente e até enviar um recadinho para sua família.


Atitudes pequenas como essa podem ser o empurrãozinho que falta para que esse aluno comece a, também, ter bons resultados nas suas notas.


6. Promova momentos de discussão e formação sobre o tema para os funcionários


Para garantir uma escola inclusiva, é preciso que todos os funcionários estejam conscientes do seu papel. Nesse sentido, palestras, atividades e oficinas que trabalhem, na prática, como ser mais inclusivo pode ser um bom começo para a mudança de mentalidade e comportamento. Os aprendizados devem ser incentivados e aplicados no dia a dia da escola. Um exemplo prático é propor que os funcionários se revezem para liderar discussões quinzenais ou mensais, dando a cada um a oportunidade de expor suas impressões e opiniões sobre diversos temas.


7. Analise o PPP e o currículo com cuidado!


Você tem a Base Nacional Comum Curricular como fundamento, mas cabe às escolas e secretarias fazerem a construção do PPP e do currículo em respeito a todas as pessoas e suas particularidades. Quando tiver a oportunidade de revisar esses documentos, faça-o de modo a sempre se perguntar: estou deixando alguém de fora? O que posso fazer para melhorar?


Essas são algumas sugestões possíveis, mas entendemos que cada realidade pode requerer soluções distintas. Encorajamos fortemente que usem as ideias trazidas aqui como ponto inicial para desenvolver a sua prática e a cultura da sua escola ou rede rumo à inclusão.

 

Referências:


JOSEPH, Mathew X. "9 Ways to Promote Equity in Our Schools". Edutopia. Fevereiro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/9-ways-promote-equity-our-schools

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