Como a gestão escolar pode auxiliar o professor de primeira viagem

Dicas que ajudam no aumento do bem estar e desenvolvimento dos novos professores


Que o primeiro ano como professor é delicado, nós já sabemos (veja o post aqui) - muito além de ter domínio do conteúdo, o docente se depara com a necessidade de lidar com a gestão de sala de aula e com uma grande quantidade de demandas, para às quais, na maior parte das vezes, não foi preparado.


Diversas pesquisas mostram que esses desafios fazem com que muitos docentes abandonem a profissão no primeiro ano, ou sofram burnout*. Diante disso, é importante o auxílio da gestão escolar ao professor de primeira viagem para garantir que essa experiência seja mais tranquila, e aumentar as chances de ele continuar lecionando.


Listamos aqui dois pontos que valem a pena serem aplicados pela coordenação e direção com a chegada do novo docente.


Proporcionar momentos e ações de suporte ao professor


Nem todos os professores estão cientes que enfrentar alguns desafios no primeiro ano é comum. Diante disso, muitos acabam achando que a dificuldade para gerir a sala ou para conseguir administrar todas as demandas é fruto da sua incapacidade.


Sendo assim, mesmo que a gestão escolar e seus pares compreendam as dificuldades do primeiro ano e estejam disponíveis para dar o suporte necessário ao novo docente, se não forem claros quanto a isso, é provável que o docente não recorra a eles por se sentir envergonhado. Por isso, além de apoiá-lo, é importante que a gestão realize momentos de conversa com o professor, para compreender quais são seus principais desafios em sala e juntos desenharem ações que tanto a gestão como o professor e seus pares podem fazer para apoiá-lo.


Entre essas ações podem constar, por exemplo, a elaboração de aulas conjuntas com outros professores da área, para que possam ver como os demais docentes se organizam, trocar ideias, dicas e informações sobre o componente.


Outra proposta é o acompanhamento das aulas, que pode ser feita tanto entre pares do mesmo componente/área, ou pela coordenação/direção escolar. Dessa forma, é possível observar quais são as principais dificuldades e facilidades que o recém chegado possui, podendo propor a ele sugestões, dicas e ações mais concretas para contornar os obstáculos. É importante, entretanto, ter cautela ao fazer a devolutiva ao professor sobre seus pontos de melhoria. Ademais, é interessante destacar também quais aspectos o professor já apresenta facilidade.


Além da observação da aula do novo docente, uma outra prática é ele observar aulas de seus pares, assim pode se inspirar em práticas dos seus colegas.


Permitir que o professor participe nas tomadas de decisão


É importante que o docente possa expor suas opiniões e contribuir nas decisões da escola, de forma que a sua sensação de liderança comece a ser estabelecida. Isso porque, se o professor estiver vivenciando dificuldades de gestão de sala de aula, provável que sua confiança esteja abalada.


Dar espaço para que ele possa opinar sobre decisões junto ao resto do corpo docente e garantir que suas sugestões sejam levadas em consideração é muito importante para demonstrar que a gestão escolar acredita no seu potencial, e, consequentemente, ele também passe a confiar mais. O resultado, dessa forma, são possíveis melhorias na sua gestão de sala de aula.


A não permanência de professores no primeiro ano também se dá por outras questões, principalmente relacionadas às competências emocionais. Pesquisas mostram que aqueles que são mais resilientes e autoconscientes, por exemplo, tendem a se manter na profissão e apresentam menos chances de burnout. Embora tais aspectos não dependam da gestão escolar, as ações que sugerimos neste artigo são ótimas maneiras de a coordenação e a direção garantirem que o primeiro ano do docente seja mais tranquilo, colaborando para o desenvolvimento e continuidade do professor.


*”A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes. Professores e policiais estão entre as classes mais atingidas.” (Saiba mais em https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-burnout-esgotamento-profissional/)

Referências:


Lehman, Michael Bryan; Stockard, Jean (2004) Influences on the Satisfaction and Retention of 1st-Year Teachers: The Importance of Effective School Management, Educational Administration Quarterly, Vol. 40, No. 5,pg.742-771. DOI: 10.1177/0013161X04268844


Ji Y. Hong (2012) Why do some beginning teachers leave the school, and others stay? Understanding teacher resilience through psychological lenses, Teachers and Teaching: theory and practice, 18:4, 417-440, DOI: 10.1080/13540602.2012.696044


Xiaofeng Steven Liu (2007) The effect of teacher influence at school on first year teacher attrition: A multilevel analysis of the Schools and Staffing Survey for 1999–2000, Educational Research and Evaluation: An International Journal on Theory and Practice, 13:1, 1-16, DOI: 10.1080/13803610600797615

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