Co-Ensino: O que é e como implementar na sua escola?

Desafios e oportunidades no trabalho conjunto entre docentes


O Co-Ensino, ou Ensino Colaborativo, é conhecido no Brasil como o nome dado ao trabalho conjunto do professor regente da sala de aula em parceria com o professor de Educação Especial. Porém, a proposta do co-ensino vai muito além disso: consiste no trabalho conjunto entre professores durante o planejamento, na sala de aula e na estruturação de métodos de avaliação. Ainda incomum no país, a proposta tem sido utilizada mundo afora principalmente no ensino infantil.


Sabe-se que a construção conjunta entre os professores pode ser muito positiva, mesmo que não compreenda toda a proposta do co-ensino. Esse é o caso, por exemplo, quando se incentiva uma cultura colaborativa entre os docentes para criação de planos de aula e propostas de formação continuada através da elaboração e análise colaborativa da implementação de sequências didática. O Ensino Colaborativo, por sua vez, seria um passo além, permitindo não apenas que os professores elaborem os materiais de maneira conjunta para auxiliar uns aos outros em sala e em seu crescimento profissional, mas que também ministrem as aulas simultaneamente ao longo de todo o período escolar.


Evidentemente essa proposta possui muitos pontos positivos:

  • Possibilita aulas mais criativas e dinâmicas

  • Permite que os alunos tenham contato com mais de uma personalidade (importante pensando que, no ensino infantil, normalmente o estudante possui um único professor como referência)

  • Auxilia dando um apoio mais individualizado ao estudante, uma vez que os docentes podem se dividir para atender a turma


Entretanto, também apresenta alguns desafios, como criar um fluxo de trabalho positivo, em que os docentes consigam desenvolver propostas interessantes mesmo entre pares com estilos de ensino diferentes. Para isso, é importante que os docentes estejam abertos a ouvir, aprender, testar e se reinventar.


Outro ponto importante é a criação de acordos entre os professores sobre como irão tratar os alunos, estabelecendo “protocolos” para cada situação. Isso porque, embora os docentes tenham características diferentes, e isso inclusive seja algo positivo para os alunos no dia a dia, a forma de tratamento dos estudantes deve seguir o mesmo parâmetro, para que um aluno não se sinta prejudicado e/ou desfavorecido em relação ao outro.


Dessa forma, sugerimos algumas dicas para garantir que a educação colaborativa seja efetiva e positiva, caso aplicada:


  1. É importante compreender e reforçar, inclusive com os estudantes, que eles são alunos dos dois docentes que estão em sala.

  2. É essencial uma boa comunicação entre os docentes, sempre levando em consideração uma visão de crescimento tanto para aquele que estiver expondo suas impressões, quanto para aquele que estiver ouvindo.

  3. É necessário perceber que o sucesso da classe irá depender do alinhamento entre os docentes no co-ensino. Deve haver um acordo entre o que será ensinado e como, quais as expectativas vocês têm para os alunos e como irão tratá-los.


Espero que tenham se interessado pela proposta do co-ensino! Sabemos que é um grande passo e que pode ser um desafio. Por isso, vale lembrar que é possível começar aos poucos, com as estratégias de colaboração entre professores como as que citamos acima, até sentirem que a cultura escolar já está preparada para maiores mudanças nesse sentido.

Referências:


HAKKARAINEN, Kai; et al. Co-teaching in non-linear projects: A contextualised model of co-teaching to support educational change. Teaching and Teacher Education. Vol 97, Jan 2021. Texto disponível em: file:///Users/macbookair/Downloads/1-s2.0-S0742051X20313792-main.pdf


KAPLAN, Marisa. Collaborative Team Teaching: Challenges and Rewards. Edutopia. 10 de maio de 2012. Texto disponível em: https://www.edutopia.org/blog/collaborative-team-teaching-challenges-rewards-marisa-kaplan

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