Benefícios da escrita e da leitura

Atualizado: 14 de fev.

Autores e pesquisadores discutem sobre o papel dessas habilidades na aprendizagem


Ler e escrever são habilidades primordiais na vida escolar de qualquer estudante. Por isso, é natural que muitas pesquisas sobre esse tema sejam realizadas, o que pode confundir quem ainda não está muito acostumado a acompanhar publicações especializadas. Para te ajudar, no artigo de hoje, vamos compartilhar alguns dos estudos mais atuais sobre os benefícios da escrita e da leitura.


Um estudo publicado em março de 2020 esclarece por que escrever é uma atividade tão benéfica, não apenas em assuntos tipicamente associados à escrita, como história e português, mas em todos os componentes curriculares. O professor Steve Graham e seus colegas do Teachers College, da Universidade Estadual do Arizona, analisaram 56 estudos que observaram os benefícios da escrita em ciências, estudos sociais e matemática e descobriram que a escrita "melhorava o aprendizado de forma confiável" em todos os níveis de ensino.


Enquanto os professores geralmente pedem aos alunos para escrever sobre um tópico a fim de avaliar o quão bem eles entendem o material, o processo de escrita também melhora a capacidade do aluno de relembrar informações, fazer conexões entre diferentes conceitos e sintetizar informações de novas maneiras. A escrita, portanto, não é apenas uma ferramenta para avaliar a aprendizagem, mas também para promovê-la.


E por que escrever é eficaz? “Escrever sobre o conteúdo do material facilita o aprendizado ao consolidar informações na memória de longo prazo”, explica Steve e seus colegas, descrevendo um processo conhecido como efeito de recuperação. Como uma pesquisa anterior mostrou, a informação é rapidamente esquecida se não for reforçada, e escrever ajuda a fortalecer as memórias do aluno sobre o material que está aprendendo.


É o mesmo mecanismo cognitivo que explica por que os testes práticos são eficazes. Em um estudo de 2014, os alunos que fizeram testes práticos nas aulas de ciências e história pontuaram 16 pontos percentuais a mais em seus exames finais do que os alunos que simplesmente estudaram o material. “Praticar a recuperação de informações estudadas recentemente aumenta a probabilidade de o aluno recuperar essas informações no futuro”, disseram os pesquisadores do estudo de 2014.


Escrever sobre um tópico também incentiva os alunos a processar informações em um nível mais profundo. Responder a perguntas de múltipla escolha ou de resposta curta pode ajudar na lembrança factual, mas colocar pensamentos no papel incentiva os alunos a avaliar diferentes ideias, pesando a importância de cada uma e considerando a ordem em que devem ser apresentadas. Ao fazer isso, os alunos podem fazer novas conexões entre as informações recebidas, mesmo que essas ideias não tenham sido óbvias para eles num primeiro momento.


Os alunos, muitas vezes, acreditam que entendem um tópico, mas se eles forem solicitados a escrevê-lo e explicá-lo, lacunas em sua compreensão podem ser reveladas. Uma das estratégias de escrita mais eficazes que os pesquisadores encontraram foi o estímulo metacognitivo, no qual os alunos são solicitados não apenas a relembrar informações, mas também a aplicar o que aprenderam em diferentes contextos, pensando sobre os vários lados de uma posição ou fazendo previsões com base no que eles sabem atualmente. Por exemplo, em vez de simplesmente ler sobre ecossistemas em um livro didático, os alunos podem escrever sobre seu próprio impacto examinando a quantidade de lixo que sua casa produz ou o impacto ambiental da produção dos alimentos que comem.


Por outro lado, a leitura é também um aliado importante nesse processo de fixação de aprendizagens e criação de bons hábitos nos estudantes. Se queremos que os alunos leiam e, talvez, até mesmo aprendam a amar a leitura, o tempo para a leitura em sala de aula precisa ser priorizado no dia escolar. Esta prática está longe de ser uma perda de tempo e, apesar das intensas pressões sobre os professores para atender aos requisitos acadêmicos, quando as escolas se transformam em prol da incorporação do tempo de leitura em sala de aula, isso pode ter um impacto poderoso e de longo prazo nas habilidades de leitura e escrita dos alunos.


Especialistas em alfabetização como Kelly Gallagher, autora de Readicide: How Schools Are Killing Reading and What You Can Do About it (“Leituricídio: Como as escolas estão matando a leitura e o que você pode fazer sobre isso”, tradução livre), reforçam essa questão há algum tempo. “Não há livros suficientes nas escolas”, diz Kelly. “Não há escolha suficiente de livros nas escolas. E não há tempo suficiente para as crianças lerem na escola. Esses fatores precisam mudar.


O caso no Brasil não é muito diferente. A 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada em setembro de 2020, revela que houve uma queda de cerca de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019. Um fato interessante é que, mesmo na parcela da população onde normalmente se via um número mais expressivo de leitores (pessoas com ensino superior e de classes mais altas), essa tendência à redução da leitura foi observada.


Além disso, os dados apontam que alunos que têm entre 5 e 10 anos de idade mostram-se expressivamente mais interessados e engajados na leitura, enquanto observa-se uma queda nesse hábito conforme avançam para a adolescência.


A pesquisa mostra, ainda, que o tempo antes dividido com a leitura hoje se concentra no uso de redes sociais e internet. Quando pensamos na escola como agente importante na transformação dessa realidade, quais mudanças podemos propor em nossas salas de aula para incentivarmos o hábito de ler e escrever em nossos alunos? Como o nosso papel como educadores se relaciona com essa temática?


É tempo de pensar estratégias!

 

Referências:


CENPEC, por Stephanie Kim Abe. “Retratos da leitura no Brasil: por que estamos perdendo leitores”, Setembro de 2020. Disponível em: https://www.cenpec.org.br/tematicas/retratos-da-leitura-no-brasil-por-que-estamos-perdendo-leitores


Edutopia, por Youki Terada. “Why Students Should Write in All Subjects”. Janeiro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/why-students-should-write-all-subjects?utm_content=linkpos4&utm_campaign=weekly-2021-01-13&utm_source=edu-legacy&utm_medium=email


Edutopia, por Sarah Gonser. “Even Older Kids Should Have Time to Read in Class”. Fevereiro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/even-older-kids-should-have-time-read-class?utm_content=linkpos1&utm_campaign=weekly-2021-03-03-A&utm_source=edu-newsletter&utm_medium=email

98 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo