Aprendizagem Inclusiva

O que é aprendizagem inclusiva e como colocá-la em prática?


Normalmente uma sala de aula possui de 30 a 40 alunos e apenas 1 professor. Pensando nessa relação matemática, a tão falada aula que foca nas individualidades e especificidades de cada aluno é impossível. Entretanto, aceitar isso pode ser muito frustrante para o professor, que sente que está deixando de lado esse ou aquele aluno ao elaborar as aulas pensando na maioria. Então, como fazer?


Existe uma proposta chamada Pedagogia Inclusiva que sugere uma maneira de driblar essa adversidade. O termo, comumente confundido com Educação Inclusiva (que busca incluir alunos com dificuldades ou especiais em escolas e salas regulares), teve origem a partir dele, mas vai além.


A Pedagogia Inclusiva, primeiramente, não se refere apenas a alunos especiais, e, além disso, não busca apenas integrar os diferentes alunos em um mesmo espaço, mas garantir que todos, independentemente das suas especificidades, consigam compreender o conteúdo e interagir no dia-a-dia da sala de aula. Baseia-se em uma visão sociocultural da aprendizagem, que acredita que o aluno cresce de acordo com as concepções culturais e intelectuais que o rodeiam, e que ele aprende juntamente com o outro. Diante disso a proposta possui dois principais "mantras":


  1. A capacidade de aprendizado da criança poder se transformar quando se removem barreiras impostas por crenças determinantes. Sabemos que o aluno recebe influências de outros meios além da sala de aula, entretanto, ele passa muito tempo na escola, e, diante disso, a ação do professor para romper esse estigma é extremamente necessária.

  2. Diferenças existem, e, ao invés de negá-las, precisamos acomodá-las. Diante disso, respeitar a identidade de cada aluno dentro da comunidade de sala de aula é primordial.

E como isso funciona na prática?


Primeiramente, o professor não deve estigmatizar os alunos por suas diferenças e/ou dificuldades, e precisa, reconhecendo as personalidades e níveis de conhecimento, elaborar aulas que sejam acessíveis para todos - e não que atendam à maioria, junto com algumas atividades adaptadas para os demais. Sabemos que essa tarefa pode ser muito difícil. Listamos aqui, então, algumas formas como isso pode aparecer em sala de aula:


  • Elaborar mais trabalhos em equipe: Eles permitem a interação e participação de todos, possibilitando que existam funções que se adequem a cada um (desde circular algo no texto, apresentar na frente da turma, pintar uma imagem, até responder perguntas mais complexas). Lembre-se sempre também de formar os grupos de modo que não sejam formados por "níveis de capacidade".

  • Usar uma linguagem que seja adequada para todos: Será que reproduzir vídeos/imagens ao invés de ler um trecho do livro não pode atingir de forma mais eficiente a todos os alunos? A proposta aqui não é mudar o modelo, mas mesclar os já existentes, de forma que as múltiplas inteligências sejam alcançadas.

  • Permitir que os estudantes participem da co-construção do conhecimento: Ao permitir que os alunos deem suas opiniões, contribuam em sala com parte da explicação, etc, eles se sentem pertencentes e aceitos.

  • Utilizar avaliações formativas para apoiar o aprendizado: Essa é uma prática que utiliza diferentes métodos avaliativos ao longo de todo o bimestres/semestre/ano, a fim de verificar o desenvolvimento do aluno. Dessa forma, ao invés de apenas uma prova, os estudantes fazem diversas atividades que contam como uma parcela da nota (atividades em grupo, apresentações, exercícios, autoavaliação, entre outros). Além de ajudar o professor a identificar com maior rapidez as dificuldades dos alunos, pois acontece ao longo do período letivo ao invés de apenas no final, essa técnica permite que o aluno demonstre seu aprendizado de diferentes maneiras, abrangendo a todos.


Sabemos que não é simples, mas que tal tentar aplicar algumas dessas práticas, e buscar sempre se lembrar dos "mantras" da aprendizagem inclusiva quando for elaborar uma aula ou entrar em sala? Depois conta pra gente quais foram suas impressões! Vamos adorar saber!

Referências:


SPRATT, Jenniffer; FLORIAN, Lana. Inclusive pedagogy: From learning to action: Supporting each individual in the context of ‘everybody. Teaching and Teacher Education. Elsevier. 2015. Vol 49, pg. 89-96. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0742051X15000566


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