A transformação necessária nas reuniões pedagógicas

A pandemia e as contribuições para repaginação das reuniões de equipe


As clássicas reuniões pedagógicas em que se “senta e ouve” foram questionadas em tempos de pandemia. Um professor do ensino médio da cidade de São Francisco, nos Estados unidos, tuitou uma frase que representa muitos dos seus colegas: “Envie e-mails… Não desperdice meu tempo com reuniões… Quer uma devolutiva? Me envie um Google Form”. Muitas vezes esse é o sentimento com reuniões de equipe: não têm objetivos claros ou necessários e apenas consomem um tempo precioso que poderia ser alocado em planejamento ou avaliações.


A pandemia pode estar criando uma oportunidade de fazer grandes melhorias nesses encontros. Com as escolas precisando se reinventar e reestruturar sua maneira de funcionamento com o formato virtual, algumas das mudanças implementadas podem permanecer quando houver o retorno presencial. Professores e administradores têm compartilhado sobre como o ensino à distância os tem inspirado a adotar práticas que tornam as reuniões mais colaborativas, envolventes e direcionadas.


Aqui estão algumas das conclusões obtidas a partir da observação de professores sobre os ajustes e inovações aplicáveis às reuniões pedagógicas:


1. Reuniões por demanda


Porque todos estão sem tempo durante a pandemia, muitas redes têm dado maior flexibilidade às reuniões. Educadores estão dando preferência à gravação de vídeos ou envio de e-mails para resolver questões ou dar recados importantes, coisa que anteriormente provavelmente envolveria uma reunião. Essa ação dá à equipe mais tempo para preparar suas aulas ou mesmo fazer suas atividades domésticas.


Na cidade de Friendswood, no estado do Texas, a Escola Galloway pediu que sua equipe avaliasse o novo formato de reuniões assíncronas, depois do teste que fizeram com a disponibilização das gravações de reuniões ao invés de encontros ao vivo. Fabiola Vacatoledo, uma professora do ensino fundamental, informou que apreciaria bastante poder continuar a fazer o jantar enquanto assiste a reunião, deixando que apenas poucas reuniões sejam feitas pessoalmente mesmo depois do retorno das aulas presenciais.


A abordagem assíncrona também tem sido aplicada a iniciativas de formação continuada. Na Escola Primária Minnieville em Woodbridge, Virginia, os educadores usaram o Nearpod - uma ferramenta onde se pode incluir elementos interativos, como pesquisas em cada slide - para fazer sessões de formação no início do ano, cada um em seu próprio horário. Para mostrar a prova de entendimento, a equipe respondia as mini pesquisas em cada slide antes de avançar.


2. Aumentar a voz do professor


Quando se trata de ensinar e aprender durante a pandemia, educadores aprenderam que ninguém é especialista. Em muitas escolas, a incerteza abriu as portas para maior colaboração por parte dos professores, e reuniões pedagógicas estão começando a ajudar no desenvolvimento de habilidades e capacidade de resolução de problemas dos professores.


Uma rede pública em Nova Jersey, por exemplo, agora começa algumas reuniões de nível de departamento e série - e até mesmo algumas de formação - com uma pesquisa no Mentimeter ou Zoom para expor a agenda, o que pode levar a discussões pertinentes e oportunas entre todos ou em salas de grupos menores.


Enquanto isso, a Escola Primária Minnieville acabou totalmente com suas antigas reuniões semanais ou mensais de equipe. Em vez disso, os administradores agora têm horas abertas do Zoom várias vezes por semana, durante as quais a equipe pode trazer seus problemas para trabalharem juntos. “A reunião de equipe não é mais a 'hora administrativa', em que coordenadores falam com a equipe sem comunicação na direção contrária (dos professores com os coordenadores)”, compartilhou a diretora Deborah Ellis e a diretora assistente Melanie Krotz em um e-mail conjunto.


As melhores práticas emprestadas de suas interações com alunos em aulas remotas também foram transferidas para a equipe. Durante a semana pedagógica de formação na Wasatch Academy em Mount Pleasant, Utah, a equipe se reuniu em uma espaçosa casa de campo, e a professora de matemática do ensino médio, Emma Chiappetta, projetou um Documento Google compartilhado em uma tela grande. Usando seus próprios laptops, os professores tiveram 10 minutos para responder às perguntas do documento com seus nomes e, em seguida, comentar as reflexões dos outros. Em seguida, Chiappetta folheou o documento e apontou tendências e percepções importantes.


A nova abordagem, que também pode funcionar remotamente, não apenas manteve o distanciamento entre os membros da equipe, mas também deu voz a mais membros da equipe que o antigo formato de reunião, afirmou Chiappetta. Um colega enviou para ela um e-mail dizendo que “eu normalmente não sou muito comunicativo, mas a interação fez eu sentir como se minha voz estivesse sendo ouvida”.


Conhecendo a realidade brasileira, sabemos que é difícil contar com um computador por professor em uma dinâmica como essa. Uma técnica que abordamos em nossa trilha formativa é a “Sem Palavras” e ela pode ajudar na aplicação dessa ideia: combine com os professores que todos podem e devem se pronunciar, mas que, para isso, devem levantar a mão e usar os dedos para indicar a ordem de fala de cada um. Além de manter a discussão organizada, você também garante que ninguém vai “se perder no caminho” e todos serão ouvidos.


Uma outra alternativa interessante é o uso da metodologia ativa chamada Discussão Silenciosa. Partindo do princípio que discussões mais significativas são geradas a partir de uma conversa bem estabelecida e conectada, essa abordagem consiste em disponibilizar um quadro ou uma grande cartolina/papel kraft em que todos colocam seus pensamentos, dúvidas e observações sobre determinado tema. Mantendo o princípio do distanciamento, é importante que um a um se levante para escrever, de preferência cada um com sua própria caneta ou pincel. Ao escreverem, cada um deve também perceber como sua colocação se relaciona com a de outra pessoa, seja de maneira complementar, concordante ou contrária. Ao dar esse espaço, todos têm a chance de se expressar e podem contribuir significativamente para o debate proposto.


3. Ênfase nas comunicações humanas mais do que na logística tecnológica


Trabalhar durante uma pandemia, quanto mais sobreviver a uma, é difícil. Muitas redes têm enfatizado a conexão e o apoio social e emocional em vez da logística para ajudar uns aos outros a superá-la.


Desde que o ensino remoto começou, a Escola Primária Siler City incorporou temas semanais como reprovação, autocuidado e trabalho em equipe nas reuniões para reforçar as necessidades que os administradores viram surgir entre a equipe. Guiados pelos temas, a equipe participa de atividades como discussões e jogos, disse Kristen Breedlove, diretora assistente da escola.


Refletindo seu profundo comprometimento com o aprendizado social e emocional, a equipe da Escola Fall-Hamilton, no Tennessee, agora foca suas reuniões virtuais de equipe majoritariamente em atividades que ajudem na construção do senso de comunidade, como oferecer reconhecimentos aos colegas ao invés de apenas transmitir informações, como costumavam fazer no período pré-pandemia.


Para alavancar reuniões no Distrito Escolar Independente North East no Texas, o time de aprendizado socioemocional engaja os colegas a participarem de discussões sobre seus pensamentos e sentimentos, além de falar sobre maneiras de lidar com o estresse, a fim de que se sintam prontos para o trabalho. Eles descobriram que aplicativos como o Mentimeter - que, além de pesquisa, coleta de devolutivas com nuvens de palavras e questionários em tempo real - e o Pear Deck - que permite que os educadores incorporem avaliações aos slides do Google - têm sido ferramentas úteis para alimentar discussões. Temos um post bem interessante explorando mais esse tema! Que tal dar uma conferida por meio desse link?


Mudanças nas reuniões de equipe podem simplesmente envolver tempo de conversa. Nos encontros na Escola Kenilworth em Petaluma, na Califórnia, por exemplo, é dado tempo para que a equipe apenas respire e medite, de modo que se sintam apoiados e conectados mesmo em um momento remoto. “Nós estamos todos frustrados e resistindo, e como não temos como nos reunir em uma sala, nós realmente precisamos desse tempo para termos a percepção de que estamos todos juntos nessa”, comentou a professora de inglês da oitava série Laura Bradley.


Nós, durante o projeto Eu Ensino de Casa, também temos aplicado essa dica e os resultados são os melhores! Começar a reunião com um momento de meditação ajuda na concentração dos professores, que demonstram aproveitar melhor os conteúdos passados, além de trazer mais calma para eles que, muitas vezes, vêm de semanas bem atarefadas.


Reconhecendo a importância desse tema, disponibilizamos há alguns meses um curso remoto autoinstrucional sobre Gestão Virtual de Equipes. Nele, muitos dos temas trazidos aqui no post são aprofundados e damos dicas práticas sobre como desenvolver encontros mais significativos entre os membros da equipe. Que tal conferir? Acesse pelo link: https://www.euensino.com.br/cursos

Referências:


MINERO, Emelina. Edutopia. “Staff Meetings Get a Needed Makeover During the Pandemic”. Outubro de 2020. Disponível em https://www.edutopia.org/article/staff-meetings-get-needed-makeover-during-pandemic


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