A aprovação durante a pandemia

Um panorama global sobre as diferentes estratégias para lidar com as avaliações


A pandemia da COVID-19 atingiu todos os setores da sociedade. Comércio, prestações de serviços, escolas… Todas as áreas passaram por profundas mudanças no último ano. Apesar disso, em diferentes lugares, estratégias diversas foram utilizadas para contornar os desafios e a escola não é exceção.


Um estudo realizado pelo Vozes da Educação, com apoio do Instituto Unibanco, analisou algumas das medidas referentes à educação adotadas por 19 países durante a pandemia. Desses, 13 ajustaram seu calendário escolar, adotando medidas como antecipação do final do ano letivo, cancelamento geral ou adiamento desse encerramento. Além disso, um ponto importante trazido pelo estudo é com relação à maneira como os países lidaram com a aprovação ou reprovação dos alunos nesse ano letivo tão atípico.


Sobre esse ponto, os dados observados mostram uma pluralidade ainda maior de abordagens e realidades. Citando o estudo, temos que:


  • Sete países adotaram a aprovação automática, sendo que seis (Bolívia, EUA - Carolina do Norte - Espanha, Itália, Nigéria e Paquistão) promoveram todos os estudantes. Em dois países (Estados Unidos - Chicago e NYC - e Peru), a aprovação automática se deu para anos ou etapas específicas, e a Índia permitiu que seus governos locais definissem acerca da promoção automática. Nos EUA, Califórnia e Texas deixaram para as escolas ou distritos a decisão sobre a aprovação dos alunos.

  • Sete países avaliaram seus estudantes, sendo que seis deles (Alemanha, África do Sul, Quebec - no Canadá -, Chicago e NYC (Nova York), nos EUA, Peru e Singapura) mantiveram o sistema de avaliação, mas empregaram algumas flexibilizações ou mudanças por conta da pandemia. Nas Filipinas, por conta de uma vedação legal, a promoção automática foi proibida. (pág. 5)


Dentre as razões para tantas diferenças de abordagem, as características de cada sistema educacional e as barreiras sociais de cada país têm um papel importante. A existência de alunos e professores em situação de vulnerabilidade e sem acesso aos recursos mínimos para viverem a experiência de ensino remoto de modo satisfatório, para muitos, representou o motivo principal para adotarem a medida de aprovação automática.


Mais importante talvez do que focar nas polêmicas que dizem respeito à concordância ou não com essa medida, está a verificação do que consta no planejamento para a continuidade do processo de ensino-aprendizagem em cada lugar. Governos estão buscando oferecer o acesso à internet e aos dispositivos para oferecer um ensino remoto mais eficiente? Estão planejando uma volta às aulas presenciais de forma segura? Como serão feitas as avaliações e recuperações da aprendizagem?


Em muitos lugares, como no Peru e no Uruguai, o governo anunciou medidas de ampla distribuição de internet e dispositivos, enquanto que outros, como a Colômbia, preocuparam-se em prover aos professores uma plataforma que os ajudasse na avaliação dos alunos para um possível retorno. No Brasil, a situação pode ser vista como “em andamento”.


O Conselho Nacional de Educação recomendou, em outubro de 2020, a revisão dos métodos de avaliação, com o objetivo de minimizar a evasão escolar, além de ter proposto o agora já conhecido 2 anos em 1: uma condensação dos anos letivos de 2020 e 2021. A decisão final sobre qual caminho seguir ficou a cargo das redes de ensino e escolas.


Agora, já tendo passado um ano desde a proposta e tendo a pandemia continuado em boa parte do país, as preocupações são reforçadas. Mais do que os prejuízos na aprendizagem, o estudo anual do Fórum Econômico Mundial mostrou que a segurança alimentar e de gênero foram também negativamente atingidas, especialmente em países com muitos alunos em situação de pobreza, para não falar naqueles que tiveram que abandonar os estudos para trabalhar e ajudar na renda familiar.


São esses alguns dos fatores importantes a serem levados em conta no nosso país para se pensar o futuro. Opções de aulas de reforço, com um acompanhamento mais próximo ao aluno, serão fundamentais, mas não sem que haja um empenho expressivo de acolhimento dos estudantes. Muitos deles, inclusive, terão que ser reinseridos numa comunidade escolar agora transformada, o que não será uma tarefa fácil. Só com comprometimento, dedicação e troca constante de aprendizados será possível termos resultados satisfatórios, mas um dia chegamos lá!

 

Referências:


Vozes da Educação e Instituto Unibanco. “Aprovar ou reprovar: a pandemia e o dilema das redes de ensino ao redor do mundo”. Outubro de 2020. Disponível em: https://www.institutounibanco.org.br/wp-content/uploads/2020/11/IU_Aprovac%CC%A7a%CC%83o_Reprovac%CC%A7a%CC%83o.pdf


VICK, Mariana. “Como países lidaram com a aprovação nas escolas em 2020”. Nexo Jornal. Janeiro de 2021. Disponível em: https://pp.nexojornal.com.br/topico/2021/01/11/Como-pa%C3%ADses-lidaram-com-a-aprova%C3%A7%C3%A3o-nas-escolas-em-2020


Redação Porvir. “Relatório alerta para cenário de desilusão do jovem em razão da pandemia”. Fevereiro de 2021. Disponível em: https://porvir.org/relatorio-alerta-para-a-desilusao-do-jovem-em-razao-da-pandemia/?utm_campaign=newsletter_semanal_1901_-_b2e_-_liv_-_ee_-_edify_-_outros&utm_medium=email&utm_source=RD+Station


World Economic Forum, em parceria com Marsh McLennan, SK Group e Zurich Insurance Group. “The Global Risks Report 2021 16th Edition”. 2021. Disponível em: http://www3.weforum.org/docs/WEF_The_Global_Risks_Report_2021.pdf

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