4 Passos para a prevenção do bullying

Atualizado: Mai 27

Bullying nas escolas não é novidade, mas cientistas identificam novos meios de preveni-lo

Bullying nas escolas é um problema antigo, e até recentemente muitos tomavam uma postura passiva diante do problema, dizendo que “crianças serão crianças”. Contudo, casos de violência nas escolas enfatizam as sérias e, às vezes fatais, consequências de comportamentos como o bullying, inclusive este é um tema que já falamos anteriormente neste post. Para lidar com essa questão, educadores e políticos estão voltando-se para os trabalhos de psicólogos como Dan Olweus, PhD, reconhecido como pioneiro de pesquisa sobre bullying e vitimização. Olweus define o bullying escolar de modo geral como “o comportamento repetitivo, negativo e mal-intencionado de um ou mais alunos direcionado contra um outro aluno que tem dificuldade de se defender. A maioria dos casos de bullying acontecem sem provocação por parte do aluno vulnerável”. Em seu livro de 1993, Bullying na escola: o que sabemos e o que podemos fazer (Bullying at school: What we know and what we can do), o Dr. Olweus identifica as características dos estudantes que estão mais em risco de serem “bullies” e de serem vítimas de bullying.


Aqueles que praticam o bullying tendem a ter as seguintes características:

  • Possuem uma forte necessidade de dominar outros alunos e conseguirem as coisas da sua própria maneira

  • São impulsivos e facilmente irritáveis

  • São frequentemente desafiadores e agressivos com adultos, incluindo pais e professores

  • Mostram pouca empatia com os alunos vitimizados

  • Se são meninos, são tipicamente fisicamente mais fortes que os outros

As típicas vítimas passivas, de acordo com as pesquisas de Olweus, geralmente possuem algumas das características a seguir:

  • São cautelosos, sensíveis, quietos e tímidos

  • São frequentemente ansiosos, inseguros, infelizes e têm baixa auto-estima

  • São depressivos e têm pensamentos suicidas muito mais frequentemente que seus colegas

  • Frequentemente não têm amigos e se relacionam melhor com adultos do que com seus colegas

  • Se são meninos, podem ser fisicamente mais fracos que seus colegas

Essas características tendem a ser tanto uma causa parcial quanto consequência do bullying. Existe também um outro grupo de vítimas, muito menor, chamado “vítimas provocativas” com características parcialmente diferentes, incluindo problemas frequentes de leitura e escrita e sintomas de DDA. O comportamento dessas vítimas pode suscitar reações negativas de muitos estudantes e também dos professores.

No entanto, não são só os agressores e as vítimas que ocupam posições importantes na perpetuação do bullying. O “círculo do bullying” mostra várias maneiras em que a maioria dos estudantes em uma sala são envolvidos ou afetados por essa dinâmica, o que é facilitado principalmente por mecanismos como contágio social e difusão da responsabilidade, principalmente quando muitos alunos participam do bullying. Pesquisas psicológicas derrubaram diversos mitos sobre o bullying, incluindo a ideia que de que os agressores são geralmente os alunos menos populares na escola: um estudo de 2000 focado em meninos do 4o ao 6o ano verificaram que alunos muito agressivos podem ser os mais populares e socialmente conectados nas salas de aula. Outro mito é que agressores são basicamente ansiosos e inseguros e usam o bullying para compensar a sua baixa auto-estima. Todavia, utilizando diversos métodos - incluindo testes projetivos e testes de hormônios do estresse - Olweus conclui que não há como sustentar essa hipótese, pois a maioria dos agressores tinham uma auto-estima acima da média. Quão comum é o bullying? Um estudo de 2001 feito pela psicóloga Tonja Nansel, PhD, envolvendo mais de 15.000 estudantes estadunidenses do sexto ano do Fundamental até o primeiro ano de Ensino Médio verificou que 17% dos alunos relataram que sofreram bullying de vez em quando ou ainda mais frequentemente na escola. Aproximadamente 19% relataram fazer bullying com os outros na mesma frequência, e somente 6% relataram que tanto sofrem quanto fazem bullying com seus colegas.

Há claramente mais meninos que fazem bullying do que meninas, e quase metade das meninas relatam sofrer bullying principalmente de meninos. Mesmo assim, o bullying também ocorre bastante entre as meninas, que se utilizam menos de meios físicos e mais de formas mais sutis e indiretas de intimidação, como excluir alguém do grupo, espalhar fofocas, e manipular amizades. Essas formas de bullying podem com certeza ser tão prejudiciais e angustiantes como outras formas de ataques mais diretas. Falamos disso no nosso artigo “Impactos do bullying e da fofoca”.

Pesquisas feitas pelo Serviço Secreto Americano e o Departamento de Educação dos EUA envolvendo 37 tiroteios em escolas, incluindo o caso de Columbine, concluiu que cerca de dois terços dos atiradores sentiam que sofriam bullying, abuso, ameaças e violência de seus colegas. A esmagadora maioria dos casos de bullying não levam a casos de tiroteios em escolas, mas o bullying é um problema sério e mais comum do que se pensava antes, e que pode deixar feridas emocionais que se mantém muito depois de os ferimentos físicos cicatrizarem.

Aplicação prática:

As pesquisas do dr. Olweus levaram ao desenvolvimento do ‘Programa de Prevenção ao Bullying Olweus’, um programa compreensivo, de múltiplos níveis e para a escola inteira, projetado para reduzir e prevenir o bullying nos ensinos primário, fundamental e médio, reconhecido como um dos Programas Modelo para a Prevenção da Violência.


Alguns importantes resultados registrados por seis avaliações do programa por um período mais longo que 20 anos foram:


  • redução entre 30 e 50% da frequência de bullying como relatado pelos alunos;

  • redução significativa em comportamentos como vandalismo, furto, embriaguez e absenteísmo escolar;

  • melhora significativa do “clima social” da classe, perceptível também por meio da melhora da disciplina, relacionamentos sociais mais positivos, e atitudes mais positivas com relação a trabalhos escolares e à escola;

  • melhora na satisfação dos alunos com vida escolar.

O programa de intervenção é baseado em quatro princípios chave, e envolve a criação de um ambiente escolar - e idealmente em casa também - caracterizado por:


  1. Gentileza, interesse positivo, e envolvimento de adultos;

  2. Limites firmes para comportamentos inaceitáveis;

  3. Aplicação consistente de sanções não-punitivas e não-físicas para comportamentos inaceitáveis e violação das regras, e,

  4. Adultos que podem agir como autoridades e exemplos positivos.


O programa funciona na escola, nas classes e nos níveis individuais, e metas importantes são mudar as “oportunidades e estruturas de recompensa” do bullying, resultando em menos oportunidades e recompensas para esse comportamento.

Referências:


Olweus, D. (1978). Aggression in the schools: Bullies and whipping boys. Washington, D.C.: Hemisphere (Wiley). Olweus, D. (1993). Bullying at School: What we know and what we can do. Oxford: Blackwell Publishers. Olweus, D. (2001). Olweus' core program against bullying and antisocial behavior: A teacher handbook. HEMIL-senteret, Universitetet i Bergen, N-5015 Bergen, Norway. Olweus, D. (2002) A profile of bullying at school. Educational Leadership, Vol.60, pp. 12-17. Olweus, D. (2004). Bullying at school: Prevalence estimation, a useful evaluation design, and a new national initiative in Norway. Association for Child Psychology and Psychiatry Occasional Papers. No. 23, pp. 5-17. Olweus, D., & Limber, S. (1999). Blueprints for violence prevention: Bullying Prevention Program. Institute of Behavioral Science, University of Colorado, Boulder. Solberg, M. & Olweus, D. (2003) Prevalence estimation of school bullying with the Olweus Bully/Victim Questionnaire. Aggressive Behavior. Vol 29. pp. 239-268. Juvonen, J. & Graham, S. (Eds.) (2001). Peer harassment in school. New York: Guilford Publications. Nansel, T. R., Overpeck, M., Pilla, R. S., Ruan, W. J., Simons-Morton, B., & Scheidt, P. (2001). Bullying behaviors among U.S. youth: Prevalence and association with psychosocial adjustment. Journal of the American Medical Association, Vol. 285, pp. 2094-2100.


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